- Duas pinturas sacras, furtadas em 1970, retornam ao Santuário de Santa Rita de Cássia após cinco décadas de ausência.
- As telas, atribuídas a Joaquim José da Natividade, foram recuperadas após denúncia sobre sua venda em São Paulo.
- O Ministério Público identificou as obras por características que coincidiam com peças originais do santuário.
- A devolução foi feita por meio da Campanha Boa Fé, após a pessoa que as possuía aceitar a devolução voluntária.
- Moradores e fiéis celebraram o retorno, considerando as pinturas parte essencial do patrimônio da cidade.
Duas pinturas sacras produzidas há aproximadamente 200 anos voltaram ao Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, na região do Campo das Vertentes, após permanecerem desaparecidas por mais de cinco décadas. As obras, conhecidas como "Duas Telas de Doutores", haviam sido furtadas na década de 1970 e foram entregues oficialmente à comunidade durante uma cerimônia realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
As telas são atribuídas ao artista Joaquim José da Natividade, considerado um dos principais nomes da pintura sacra mineira entre o final do século XVIII e o início do século XIX. O retorno representa uma importante conquista para a preservação do patrimônio histórico e religioso da cidade.
A recuperação das obras teve início em abril deste ano, quando o Ministério Público recebeu uma denúncia informando que duas pinturas antigas estavam sendo anunciadas para venda em um antiquário localizado em São Paulo.
Após análises realizadas por especialistas da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), foi constatado que as características das peças coincidiam com pinturas que integravam originalmente o forro da Capela-Mor do Santuário de Santa Rita de Cássia.
Segundo o MPMG, durante o furto ocorrido na década de 1970, as obras foram retiradas do teto da igreja, separadas em dois quadros independentes e receberam molduras, procedimento que teria facilitado sua comercialização ao longo dos anos.
Após ser notificada pelo Ministério Público, a pessoa que estava com as pinturas aderiu à Campanha Boa Fé e aceitou devolver voluntariamente os bens históricos à comunidade de Ritápolis.
O retorno das obras foi celebrado por moradores e fiéis. O pároco do santuário, padre Geraldo Sérgio França, destacou que a igreja conviveu por décadas com a ausência de importantes peças de seu patrimônio e afirmou que esta é a primeira vez que objetos furtados do templo são recuperados e devolvidos.
A emoção também marcou os moradores mais antigos da cidade. Entre eles, Sônia Resende do Amaral, de 77 anos, reconheceu as pinturas antes mesmo da cerimônia de entrega e relembrou a importância delas em sua trajetória de vida.
Fiz minha primeira comunhão aqui, fui catequista, me casei nessa igreja e me lembro muito bem desses quadros. Eles chamavam a atenção de todos, pois era uma coisa diferente. A volta deles para o santuário era muito importante. Foi uma graça que recebemos, afirmou.