- Estudo revela que o Rio Tietê não tem trecho com água ótima, mas mancha de poluição reduziu 15,9% em 2025.
- Qualidade da água piorou em 2025, com apenas 1,8% dos pontos analisados classificados como bons.
- Redução da mancha de poluição em 2025 não indica recuperação, segundo coordenador do projeto.
- Poluição do Tietê vem de esgoto, agrotóxicos e barragens, com falta de investimento em saneamento.
- Governo de São Paulo afirma que mancha de poluição caiu 33 km em 2024 e busca universalizar saneamento até 2029.
O Rio Tietê continua sem nenhum trecho com água classificada como ótima. A conclusão é do estudo "Observando o Tietê 2025", divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica às vésperas do Dia do Rio Tietê, em 22 de setembro.
A boa notícia é que a mancha de poluição (trecho com água imprópria para uso ) diminuiu. Caiu de 207 km em 2024 para 174 km em 2025, uma redução de 15,9%. É a primeira queda depois de três anos seguidos de aumento. Mas a qualidade geral da água piorou. Dos 55 pontos analisados na bacia do Tietê, apenas um teve água considerada boa, o que representa 1,8% do total. É o pior resultado da série histórica. A maioria ficou com água regular, com 61,8%, ruim, com 27,3%, ou péssima, com 9,1%.
Entre 2016 e 2021, o rio viveu um ciclo de melhora. A mancha chegou ao menor nível recente, com 85 km. A partir de 2022, a situação inverteu. A mancha voltou a crescer e bateu 207 km em 2024, enquanto os trechos de água boa sumiram.
Para Gustavo Veronesi, coordenador do projeto, a redução da mancha em 2025 não significa recuperação.
“A piora em 2024 não foi um ponto isolado. É um retrocesso que começou em 2022. O Tietê continua muito vulnerável e não há sinal de melhora duradoura”, afirma.
O estudo monitorou 576 km do rio, de Salesópolis até Barra Bonita. O Tietê tem 1,1 mil km e corta São Paulo de leste a oeste, passando por áreas urbanas, industriais e agrícolas. A poluição vem principalmente do esgoto lançado na Grande São Paulo, de agrotóxicos e da operação de barragens.
Especialistas defendem mais investimento em saneamento e planos integrados que considerem clima, uso do solo e educação ambiental. “Poluir um rio é rápido, mas recuperar é lento e exige atenção constante”, diz Veronesi. O Governo de São Paulo afirma que está investindo no programa Integra Tietê e que a mancha de poluição já caiu 33 km no último ano. A meta é universalizar o saneamento até 2029, quatro anos antes do prazo do Marco Legal.