Submarino tentou voltar à superfície antes de implodir, afirma especialista

O submarino Titan implodiu e matou os cinco tripulantes durante uma expedição ao Titanic no dia 18 de junho deste ano.

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Submarino tentou voltar à superfície antes de implodir | OceanGate

Um ex-conselheiro da OceanGate, empresa responsável pelo submarino Titan que implodiu e matou os cinco tripulantes durante uma expedição ao Titanic no dia 18 de junho deste ano,  disse que o submersível havia soltado os pesos do lastro responsável por mantê-la no fundo do oceano para tentar voltar à superfície, indicando que o piloto sabia que havia algo errado.

“O relatório que recebi imediatamente após o evento – muito antes do tempo de oxigênio ter acabado – foi que o submarino estava se aproximando de 3.500 metros”, declarou o consultor com experiência em expedições, Rob McCallum, ao The New Yorker.

McCallum é cofundador da empresa de expedições EYOS Expedition, e já conduziu mergulhos até os destroços do Titanic e em outros lugares profundos do oceano. Ainda durante a entrevista, o ex-consultor afirma que o piloto do submersível derrubou os pesos e então perdeu a comunicação.

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“Ele derrubou os pesos. E então perdeu as comunicações e o rastreamento, e uma implosão foi ouvida”, explica McCallum.

Rob McCallum explicou ainda que quando o CEO da OceanGate, Stockton Rush, que era um dos tripulantes mortos na tragédia, decidiu construir o submarino para chegar no naufrágio do Titanic, ele contatou McCallum para ajudá-lo a pôr a ideia em prática.

“Todo mundo estava bebendo Kool-Aid (uma marca de suco americana) e falando sobre como eles eram legais com um PlayStation da Sony. E eu perguntei na época: ‘A Sony sabe que [o controle do PlayStation] foi usado para esta finalidade? Porque, você sabe, não foi projetado para isso. Você tem o controle de mão se comunicando com uma unidade Wi-Fi, que está se comunicando com uma caixa preta, que está se comunicando com os propulsores do submarino. Havia vários pontos passíveis de falha”, relata Rob McCallum, ao The New Yorker.

Ele ainda acrescentou: “Cada submarino do mundo tem controles com fio por uma razão – se o sinal cair, você não está ferrado.” Quando McCallum ficou sabendo que Rush não tinha a intenção de certificar o submersível através da aprovação de nenhuma agência reguladora, ele decidiu não se envolver mais no projeto.

“No minuto em que descobri que ele não iria certificar o veículo, foi quando eu disse: ‘Sinto muito, mas não posso me envolver’. As pessoas me ligavam e diziam: ‘Sempre quisemos ir ao Titanic. O que você acha?’ E eu dizia a eles: ‘Nunca entre em um submersível sem certificação. Eu não faria isso, e você também não deveria'”, acrescentou.

McCallum ainda mencionou que confiava no ex-funcionário e piloto de submersível da OceanGate, David Lochridge, e quando ele foi demitido após preocupações sobre a segurança do submersível Titan, encorajou que ele tornasse suas críticas públicas.

O ex-consultor da OceanGate disse ainda que tentou argumentar sobre as preocupações diretamente com Stockton Rush, e enviou um e-mail para o CEO da empresa questionando a tecnologia não certificada. McCallum ainda criticou que Rush estaria arriscando a vida das pessoas.

“Você está querendo usar um protótipo de tecnologia não certificada em um local muito hostil. Por mais que eu aprecie o empreendedorismo e a inovação, você está potencialmente colocando todo o setor em risco”, explica McCallum.

Rob McCallum estava entre os mais de 30 signatários da carta enviada por especialistas para a OceanGate em 2013, expressando uma “preocupação unânime” sobre a expedição ao Titanic.

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