- Super El Niño pode causar 19.500 mortes adicionais no Brasil até março de 2027, segundo estudo do Climate Impact Lab.
- Brasil está entre os países com mais mortes previstas, atrás da Nigéria, Índia e Indonésia, segundo projeção do painel de pesquisadores.
- Pará lidera o ranking estadual com 3.800 mortes previstas, seguido por Maranhão, Amazonas e Bahia, segundo levantamento do fenômeno.
- El Niño pode ser um dos mais fortes da história, com pico esperado em 2026 e efeitos que podem se prolongar até fevereiro de 2027.
- Aumento das temperaturas eleva riscos à saúde, como desidratação, agravamento de doenças e insegurança alimentar, especialmente em populações vulneráveis.
O fenômeno climático Super El Niño pode provocar 19.500 mortes adicionais no Brasil até março de 2027, segundo estimativa do Climate Impact Lab, painel de pesquisadores ligado à Universidade de Chicago. A projeção considera os efeitos do aumento das temperaturas associado ao fenômeno. No cenário mundial, a previsão é de 857.400 mortes adicionais, sendo que 484.500 já teriam ocorrido entre junho e setembro de 2026, de acordo com o levantamento.
Brasil está entre os países com mais mortes previstas
A estimativa aponta que outras 372.900 mortes podem ocorrer nos próximos seis meses em diferentes regiões do planeta. Índia e Nigéria estão entre os países mais afetados. A previsão indica 55.200 mortes adicionais na Índia e 56.100 na Nigéria nesse período.
No Brasil, a projeção de 19.500 óbitos tem margem de variação de 3 mil para mais ou para menos. O país aparece na quarta posição entre os que devem registrar mais mortes adicionais, atrás de Nigéria, Índia e Indonésia.
Entre os estados brasileiros, o Pará concentra a maior estimativa, com 3.800 mortes previstas até março. O número supera as projeções para países como Venezuela, com 3.600 óbitos, e Colômbia, com 3.300.
Na sequência aparecem Maranhão, com 2.800 mortes, Amazonas, com 2.200, e Bahia, com 2.100. Os números estaduais fazem parte do acumulado de dez meses de incidência do fenômeno.
VEJA O RANKING DOS PAÍSES MAIS AFETADOS
| País | Total de mortes adicionais | Margem de variação |
|---|---|---|
| Nigéria | 56.100 | ± 7.100 |
| Índia | 55.200 | ± 10.900 |
| Indonésia | 29.300 | ± 4.700 |
| Brasil | 19.500 | ± 3.000 |
| Sudão | 14.700 | ± 1.800 |
Mapa mostra as áreas mais avermelhadas com o maior risco de morte pelo El niño - Foto: reprodução
El Niño deve ser um dos mais fortes da história
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou, no dia 21, que o atual episódio de El Niño pode alcançar intensidade excepcional e estar entre os mais fortes já registrados. A expectativa é que o fenômeno atinja seu pico ainda em 2026.
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. O fenômeno aparece de forma cíclica, geralmente em intervalos de dois a sete anos, alternando com períodos neutros e com a La Niña, caracterizada pelo resfriamento das águas do oceano.
Na América do Sul e Central, os efeitos podem incluir alterações no regime de chuvas e nas temperaturas. No Brasil, a OMM destaca a possibilidade de chuvas intensas na Região Sul e períodos prolongados de seca no Norte e Nordeste.
Segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o episódio deve persistir pelo menos até fevereiro de 2027. Mesmo depois desse período, os efeitos climáticos podem continuar sendo sentidos em diferentes regiões.
Ondas de calor aumentam riscos à saúde
O aumento das temperaturas representa riscos que vão além do desconforto térmico. Entre as consequências estão desidratação, agravamento de problemas de saúde e insegurança alimentar, especialmente em populações mais vulneráveis.
O calor também pode favorecer a transmissão de doenças como a dengue. O mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão do vírus, encontra condições favoráveis à reprodução em ambientes quentes e úmidos.
Um levantamento da Lancet Countdown, iniciativa internacional que monitora os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde, aponta que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados.
O relatório alerta que um El Niño intenso pode agravar os efeitos das mudanças climáticas e ampliar os riscos de crises humanitárias relacionadas ao clima. O documento também destaca a necessidade de ações coordenadas entre países para proteger a saúde e reduzir a exposição da população aos eventos extremos.
Mudanças climáticas podem intensificar o fenômeno
Cientistas apontam que o aquecimento global pode intensificar os efeitos do El Niño. Entre os fatores associados às mudanças climáticas estão as emissões de dióxido de carbono (CO₂), principalmente pela queima de combustíveis fósseis para produção de energia e pelo desmatamento.
O aumento da temperatura média do planeta contribui para alterações nos padrões climáticos e pode ampliar a frequência e a intensidade de eventos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas e chuvas torrenciais.
Acordo de Paris prevê redução das emissões
Em 2015, países assinaram o Acordo de Paris, compromisso internacional que estabelece metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais.
Projeções meteorológicas indicam que esse limite pode ser alcançado por volta de 2030. Para tentar evitar esse cenário, a ONU aponta a necessidade de reduzir as emissões em 18% até 2030 e 45% até 2035, além de ampliar a remoção de gás carbônico da atmosfera ao longo do século.