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Lua vira alvo de disputa global por recursos; Brasil tenta participar

País busca integração com missão dos EUA para desenvolver tecnologia e pesquisa no satélite

Esta foto sem data, fornecida pela NASA, mostra uma vista da superfície da Lua a partir da sua órbita. | Foto: Ernie T. Wright/NASA via AP
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A retomada das missões à Lua reacendeu a corrida internacional por recursos naturais estratégicos, com países como Estados Unidos e China ampliando investimentos e o Brasil tentando se inserir nesse cenário por meio de parcerias com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Nasa. O interesse global se intensificou após o avanço do programa Artemis, que marca o retorno de missões tripuladas ao entorno lunar.

Por que a Lua voltou ao centro das atenções

O interesse renovado está ligado à viabilidade econômica e tecnológica da exploração. Segundo especialistas, o satélite concentra minerais estratégicos, como os chamados elementos de terras raras, essenciais para a indústria eletrônica.

“Ora, hoje nós sabemos que a Lua tem minerais e elementos químicos muito importantes para a economia da Terra”, explica o diretor do Planetário do Rio, Alexandre Cherman.

Entre os recursos mais cobiçados está o hélio-3, considerado o “combustível do futuro”, por ser uma fonte potencial de energia limpa. “O hélio-3, é muito, muito importante para esse processo”, destaca o especialista ao se referir à fusão nuclear.

Disputa internacional e avanço tecnológico

Cerca de 70 países já participam de acordos de cooperação para exploração lunar, consolidando uma nova fase da corrida espacial. Além das agências governamentais, empresas privadas também avançam no desenvolvimento de tecnologias para extração de recursos diretamente da superfície da Lua.

A nova corrida vai além da exploração científica e envolve interesses econômicos e estratégicos, com a Lua sendo vista como uma base para futuras missões, inclusive para Marte.

Brasil tenta “pegar carona” em missões

Com um programa espacial ainda em desenvolvimento, o Brasil busca participação por meio de acordos com a Nasa, dentro do projeto Artemis. Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), dois projetos nacionais estão em negociação.

Um deles é um satélite científico desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que deverá orbitar a Lua. Outro envolve a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com estudos para o cultivo de alimentos em bases lunares.

“Já temos financiamento para esses dois projetos, estamos discutindo cenários de cultivo dentro de uma base lunar”, afirmou o diretor da AEB, Rodrigo Leonardi.

Da ficção à realidade

A possibilidade de produzir alimentos fora da Terra, antes restrita à ficção, já começa a ser testada. Experimentos com culturas como grão-de-bico e batata-doce estão entre os primeiros estudos brasileiros.

Iniciativas semelhantes já foram exploradas em produções como o filme Perdido em Marte, mas agora ganham base científica com experimentos conduzidos por agências espaciais.

Lua como ponte para Marte

A nova fase da exploração espacial tem como objetivo estabelecer uma presença contínua na Lua, transformando o satélite em uma espécie de base para missões mais longas.

“Vai-se voltar à Lua e manter uma presença no satélite, que servirá como portal para o próximo passo: a chegada a Marte”, afirma Alexandre Cherman.

A expectativa é que essa nova corrida combine ciência, tecnologia e interesses econômicos, consolidando a Lua como peça-chave no futuro da exploração espacial.

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