- Projeto de avião Z4, desenvolvido pela JetZero, integra fuselagem às asas para reduzir consumo de combustível.
- JetZero recebe investimento de US$ 3 bilhões para construir fábrica na Carolina do Norte e acelerar desenvolvimento.
- Z4 poderá transportar 250 passageiros com compartimento de bagagem por assento e telas em vez de janelas.
- Aeronave terá autonomia de até 9.200 km, mas enfrenta críticas sobre conforto e adaptação em aeroportos.
- JetZero busca reduzir tempo de desenvolvimento com componentes aprovados pela FAA e tem apoio de grandes companhias aéreas.
Um projeto de nova aeronave tem atraído investidores por apresentar um formato que integra a fuselagem às asas em uma única estrutura. A proposta é reduzir o consumo de combustível durante os voos. Com visual comparado ao de uma arraia, o avião Z4 está sendo desenvolvido pela empresa americana JetZero. A previsão é realizar o primeiro voo de um protótipo em escala real em 2027 e iniciar a operação comercial no início da década de 2030.
Projeto recebe investimento de US$ 3 bilhões
Sediada na Califórnia, a JetZero anunciou em julho um acordo de US$ 3 bilhões com o governo dos Estados Unidos para financiar a construção de uma fábrica na Carolina do Norte. A unidade será usada para acelerar o desenvolvimento do avião, que apresenta um design diferente do padrão adotado pela indústria há décadas. A proposta é considerada uma das principais mudanças no desenho de aeronaves desde o Concorde, que deixou de operar em 2003.
Z4 poderá transportar 250 passageiros
O Z4 está sendo projetado para transportar cerca de 250 passageiros, distribuídos em seis seções dentro da cabine. A aeronave também deverá ter um compartimento de bagagem para cada assento. Em vez das janelas tradicionais ao lado dos passageiros, o avião terá telas com imagens do exterior captadas por câmeras de alta definição.
A iluminação natural será fornecida por duas claraboias instaladas próximas às primeiras fileiras.
Aeronave poderá voar até 9.200 km
Segundo a JetZero, o Z4 terá autonomia de até 5.000 milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente 9.200 quilômetros. Para comparação, a distância entre São Paulo e Madri, na Espanha, é de cerca de 8.400 quilômetros. A fabricante afirma que o formato integrado entre fuselagem e asas melhora a aerodinâmica e pode reduzir o consumo de combustível entre 30% e 50% em comparação com aeronaves como o Boeing 787.
Apesar das vantagens previstas, o projeto também enfrenta questionamentos. Segundo o Wall Street Journal, críticos afirmam que passageiros próximos às asas podem sentir mais desconforto durante as curvas da aeronave. A ausência de janelas também é apontada como um possível fator de aumento da sensação de enjoo durante o voo.
Outro desafio envolve o embarque e o desembarque. Como as portas serão instaladas em posições diferentes das utilizadas atualmente, pode haver dificuldades de adaptação em aeroportos projetados para aeronaves convencionais.
JetZero pretende acelerar desenvolvimento
Ainda de acordo com o jornal, a JetZero pretende reduzir o tempo de desenvolvimento do Z4 utilizando componentes já empregados em outros aviões e aprovados pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA). A estratégia poderá facilitar o processo de certificação da nova aeronave.
A JetZero já possui acordos com companhias aéreas interessadas no modelo. A United Airlines, por exemplo, planeja comprar 200 unidades do Z4. Empresas como Delta Air Lines e Alaska Airlines também apoiam o desenvolvimento da aeronave.