Geneilton Luiz de Araújo, acusado de matar a ex-companheira grávida e dois enteados, de 8 e 6 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri. A decisão foi proferida no dia 30 de janeiro de 2026 pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Picos, que entendeu haver provas da existência dos crimes e indícios suficientes de autoria para submeter o réu a julgamento popular.
Na sentença de pronúncia, a magistrada destacou que, nesta fase do processo, a Justiça avalia apenas a materialidade dos crimes e os indícios de que o acusado possa ser o responsável. A definição sobre culpa ou inocência caberá aos jurados. A defesa pediu a retirada do caso do Tribunal do Júri e a exclusão das qualificadoras, mas os requerimentos foram negados.
ACUSADO
Geneilton responde por feminicídio, no contexto de violência doméstica e durante a gestação da vítima, além de homicídio qualificado contra duas crianças menores de 14 anos, das quais era padrasto. A prisão preventiva foi mantida, sob o argumento de gravidade dos fatos e risco à ordem pública. A data do julgamento ainda não foi definida.
Relembre o caso
Os crimes ocorreram na madrugada do dia 2 de março de 2025, dentro da residência das vítimas, localizada no Centro de Paquetá, no Sul do Piauí. Segundo o Ministério Público, Jairane Moura da Silva, que estava grávida, foi morta junto com os filhos João Gabriel Moura da Silva, de 8 anos, e Vinícius Emanuel Moura da Silva, de 6 anos.
As investigações apontam que as vítimas foram atacadas dentro de casa, sem possibilidade de defesa. Laudos periciais, depoimentos colhidos durante o inquérito policial e em juízo, além de exames de medicina legal e genética forense, embasaram a denúncia oferecida pelo Ministério Público e posteriormente recebida pela Justiça.
Testemunhas relataram que o relacionamento entre Jairane e o acusado era marcado por conflitos, ameaças e episódios de violência doméstica. A mãe da vítima afirmou ainda que a filha estava separada de Geneilton havia cerca de um mês, mas continuava sendo procurada e ameaçada por ele. Ainda segundo o depoimento, a gestação era de aproximadamente quatro meses e o acusado tinha conhecimento da gravidez.
Durante o interrogatório, Geneilton admitiu ter desferido um golpe contra Jairane, mas negou ter matado as crianças. Ele alegou que não sabia da gravidez e afirmou que não havia visto os enteados no momento do crime. A versão, no entanto, não afastou os indícios apontados pela investigação, que sustenta que os três homicídios ocorreram na mesma ocasião.
Com a decisão de pronúncia, o processo entra agora na fase de plenário, quando acusação e defesa apresentarão suas versões diretamente aos jurados do Tribunal do Júri.
ORIENTAÇÃO:
Casos de violência doméstica podem ser denunciados pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia em todo o país e no exterior. O serviço oferece orientação, recebe denúncias e encaminha vítimas para redes de proteção. Também é possível denunciar pelo Disque 100, pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil ou pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Vítimas podem solicitar medidas protetivas de urgência sempre que se sentirem em risco.