O balanço pluviométrico de janeiro revela um cenário de precipitações fracas e mal distribuídas no estado. Segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí, apenas cinco municípios superaram os volumes registrados no mesmo mês do ano passado, enquanto a maioria enfrentou redução significativa nos acumulados.
Entre os municípios com maiores quedas nas médias estão Alto Longá (-269,30 mm), Castelo do Piauí (-259,40 mm) e Boqueirão do Piauí (-251,20 mm). Por outro lado, as menores reduções foram observadas em Parnaíba (-10,30 mm), Assunção do Piauí (-6,00 mm) e Miguel Alves (-0,70 mm). Já as médias positivas ficaram concentradas em cinco municípios: Cajueiro da Praia (107,55 mm), União ( 90,40 mm), Nossa Senhora dos Remédios (81,50 mm), Ilha Grande (35,00 mm) e Cristino Castro (16,70 mm).
Esse desempenho acendeu um alerta, principalmente para setores que dependem diretamente do regime de chuvas, como a agricultura e o abastecimento hídrico.
Mudança no padrão atmosférico em fevereiro
De acordo com a meteorologista Sônia Feitosa, da Semarh, o cenário começou a se modificar na transição para fevereiro. Até o fim de janeiro, as chuvas eram pouco intensas e concentradas em áreas isoladas.
O mês vem sendo marcado por uma condição de chuvas. Até janeiro, elas aconteciam com pouca intensidade e de forma mal distribuída. A partir do fim da primeira semana de fevereiro, passaram a se distribuir de forma mais uniforme em todas as regiões do estado”, explica.
O principal sistema responsável por essa mudança é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), faixa de nebulosidade próxima à linha do Equador que favorece o transporte de umidade para o Norte e o Nordeste do Brasil. No Piauí, sua atuação tem intensificado as instabilidades, sobretudo nas regiões central e sul.
Há previsão de chuvas fortes, acompanhadas de descargas elétricas e ventos mais intensos. Em alguns municípios, os acumulados podem atingir até 100 milímetros ao longo do dia ou concentrar cerca de 60 mm em apenas uma hora, volume elevado e com potencial para alagamentos, especialmente em áreas já encharcadas.
Previsão e alertas
A tendência é de continuidade das chuvas nos próximos dias, mantendo o padrão de instabilidade principalmente nas regiões centro e sul. No norte e centro-norte também há previsão de precipitações, embora com menor intensidade no extremo litoral.
A Semarh orienta que a população acompanhe diariamente os boletins da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos, sobretudo quando houver alertas classificados como “perigo”, que indicam risco de tempestades.
Se janeiro foi de volumes abaixo do esperado em boa parte do estado, fevereiro inaugura um novo momento no regime de chuvas. O desafio agora passa a ser lidar com precipitações mais intensas após um início de período marcado por irregularidade, realidade que impacta diretamente a agricultura, os reservatórios e o cotidiano da população piauiense.