A Polícia Civil (PC) localizou, neste sábado (11), o carro do motorista por aplicativo Francisco Alan Marques da Silva, de 27 anos, completamente carbonizado na zona rural do município de Brasileira, no Norte do Piauí. O veículo foi encontrado após nove dias do desaparecimento da vítima, que teve o corpo localizado em uma cova rasa entre as cidades de Altos e Alto Longá. O caso é investigado como latrocínio (roubo seguido de morte) e já resultou na prisão de seis suspeitos.
A localização do veículo foi confirmada pela Polícia Civil (PC), que acionou a perícia da Delegacia Regional de Piripiri para os procedimentos iniciais. Após a análise no local, a carcaça do automóvel será encaminhada para Teresina, onde passará por exames detalhados. A polícia também investiga se o incêndio foi provocado de forma intencional.
Corpo encontrado
O corpo de Francisco Alan foi encontrado na última quarta-feira (8), enterrado em uma área de mata de difícil acesso. Segundo informações da investigação, a vítima foi atingida por disparos de arma de fogo na região da cabeça e do tórax.
De acordo com o delegado-geral Luccy Keiko, o crime apresenta características de latrocínio. “A natureza jurídica do fato ela está caminhando para o crime de latrocínio, porque a vítima, após o crime, o carro dela foi utilizado para a prática de outros crimes. A vítima foi praticamente arrebatada, foi conduzida”, afirmou.
Prisões e confissão
Durante uma operação realizada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), seis pessoas foram presas, sendo cinco homens e uma mulher. Entre os detidos estão Matheus Silva Carvalho, Wesley Fernandes Pereira, Jorge, Antônio Francisco (conhecido como “Junin”), Maria Laura e Luis Bezerra Neto, apontado como um dos principais envolvidos.
Segundo Luccy Keiko, três suspeitos apresentaram versões contraditórias durante os interrogatórios. Posteriormente, Luis Neto confessou participação no crime e indicou o local onde o corpo estava.
“Nós percebemos rapidamente o envolvimento dele total, mas que ele estava mentindo. No decorrer do dia, as investigações foram evoluindo e ele percebeu que já havia provas contundentes contra ele, então foi melhor indicar onde se encontrava”, explicou o delegado.
Material apreendido
Na residência de um dos suspeitos, a polícia apreendeu armas, munições, drogas, além de três camisas da Polícia Civil e uma da Polícia Militar (PM). O material será periciado para verificar possível ligação com outros crimes.
O delegado-geral Luccy Keiko destacou a gravidade da apreensão. “Isso é um fato muito grave. Pode ter mandado confeccionar. Já temos notícias de um assalto ocorrido em que indivíduos estavam usando camisas dessa natureza”, afirmou.
Além disso, dois suspeitos foram presos também por possuírem mandados de prisão em aberto. Com eles, foram encontradas joias que podem ser provenientes de outros crimes. “Estamos divulgando para que alguém eventualmente reconheça, porque são bandidos e provavelmente esses objetos são frutos de assaltos”, completou.
A vítima
O delegado-geral Luccy Keiko informou ainda que Francisco Alan tinha passagens pela polícia e era usuário de drogas, mas destacou o esforço da família em ajudá-lo. “A família dele é muito trabalhadora e tentava ajudá-lo. Foram dias de sofrimento intenso”, disse.
Familiares acompanharam as buscas desde o desaparecimento, ocorrido no dia 30 de março, quando o motorista saiu para uma corrida no bairro Pedra Mole, em Teresina, com três passageiros.
Angústia da família
Durante o período de buscas, familiares utilizaram as redes sociais para pedir ajuda e compartilhar informações. A prima da vítima, Patrícia Marques Abreu, relatou o sofrimento vivido pela família.
“Era fazer minha família sofrer duas vezes. Para muita gente não basta a dor que uma mãe sente ao não saber onde seu filho está”, declarou.
A mãe da vítima, Teresa Marques, informou que falou com o filho pela última vez por volta das 16h do dia 30 de março, e destacou que o desaparecimento era incomum, já que ele mantinha contato frequente com a família.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil (PC), sob coordenação do delegado-geral Luccy Keiko, que apura a participação de outros envolvidos e a possível ligação dos suspeitos com outros crimes na região.