- Delegado Hugo Alcântara afirma que preconceito dificulta denúncias de abuso sexual contra meninos.
- Professor de escolinha de futebol é investigado por suspeita de exploração sexual de adolescente de 14 anos.
- Policia Civil busca identificar possíveis novas vítimas e pede informações de pais e ex-alunos.
- Crime sexual contra meninos é subnotificado devido a estigma social e culpa da vítima.
- Denúncias podem ser feitas diretamente à DPCA pelo telefone (86) 99411-3876.
O delegado Hugo Alcântara, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), afirmou nesta quarta-feira (29) que o preconceito ainda é um dos principais fatores que dificultam denúncias de abuso sexual contra meninos. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Jornal da Tarde Piauí, da Rádio Jornal FM 90.3, ao comentar o caso do professor de uma escolinha de futebol investigado por suspeita de exploração sexual de um adolescente de 14 anos, na zona Sudeste de Teresina.
Segundo o delegado, apesar da divulgação do caso e do pedido para que outras possíveis vítimas procurassem a polícia, até o momento apenas o adolescente de 14 anos formalizou denúncia. A Polícia Civil, no entanto, segue realizando uma busca ativa e pede que pais e ex-alunos da escolinha entrem em contato caso tenham informações que possam contribuir com a investigação.
Polícia busca identificar possíveis novas vítimas
De acordo com Hugo Alcântara, a investigação teve início depois que o adolescente revelou aos pais o que havia acontecido. O delegado explicou que o fato ocorreu em janeiro deste ano, mas só foi denunciado meses depois, quando o jovem decidiu procurar ajuda.
Conforme o relato da vítima, o professor da escolinha teria se oferecido para custear a viagem do adolescente a um campeonato fora do estado em troca de favores sexuais. O delegado afirmou que o menor aceitou a proposta, participou da competição e, após retornar, passou a sentir culpa até decidir contar o caso aos familiares.
O abuso acontece e, muitas vezes, naquele momento a vítima ainda não tem noção da dimensão do que ocorreu. Depois, com o passar do tempo, aquela culpa vai consumindo a pessoa até que ela busca ajuda.
Apesar da repercussão do caso, Alcântara informou que nenhuma outra vítima procurou a delegacia até agora.
abuso contra meninos "é subnotificado"
Durante a entrevista, o delegado destacou que crimes sexuais contra adolescentes e crianças do sexo masculino costumam ser menos denunciados do que aqueles cometidos contra meninas.
Segundo ele, o principal obstáculo não é o fato de a escolinha ser particular, mas o preconceito que ainda cerca esse tipo de violência.
Há todo um estigma social. A vítima fica constrangida, imaginando o que vão falar dela. São jovens que são vítimas, não são corresponsáveis e não têm culpa pelo crime cometido contra eles.
O delegado reforçou que a função da Polícia Civil é proteger as vítimas e responsabilizar os autores dos crimes, pedindo que outras pessoas procurem a DPCA caso tenham informações sobre situações semelhantes envolvendo o investigado.
As denúncias podem ser feitas diretamente à delegacia pelo telefone (86) 99411-3876.
Relembre o caso
O professor de uma escolinha de futebol foi preso na última segunda-feira (27), em Teresina, suspeito de exploração sexual contra um adolescente de 14 anos. Segundo a Polícia Civil, ele teria atraído o jovem com a promessa de custear uma viagem para um campeonato fora do estado e oferecer oportunidades no futebol em troca de favores sexuais.
De acordo com o delegado Hugo Alcântara, o adolescente relatou que o investigado fez mais de uma investida. Em uma delas, a proposta não foi aceita; em outra, o abuso teria sido consumado. Após o episódio, o professor ainda teria insistido nas abordagens, mas passou a ser rejeitado pela vítima.
A denúncia chegou à Polícia Civil depois que o adolescente contou o ocorrido aos pais. O caso segue sob investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, que busca identificar se há outras possíveis vítimas do investigado.