O número de feminicídios registrados no Piauí caiu nos dois primeiros meses de 2026. De acordo com dados divulgados pelo governo estadual, foram quatro casos no primeiro bimestre deste ano, contra 12 no mesmo período de 2025, uma redução de 66,7%.
Os números foram apresentados nesta segunda-feira (9), durante o lançamento da campanha Março Mulher, no Palácio de Karnak, em Teresina.
O levantamento também aponta redução nos casos de estupro de mulheres no estado. No primeiro bimestre de 2025, foram registrados 210 casos. Já no mesmo período de 2026, o número caiu para 151, o que representa uma diminuição de 28,1%.
Governo atribui resultado a prisões e denúncias
Durante o evento, o governador Rafael Fonteles afirmou que a queda nos feminicídios está relacionada ao aumento das denúncias e à ampliação das ações de combate à violência contra a mulher, incluindo a punição de agressores. “Estamos trabalhando para zerar o número de feminicídio no Piauí”, afirmou.
Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que as prisões realizadas por delegacias especializadas aumentaram no período. Foram 535 detenções no primeiro bimestre de 2026, contra 434 no mesmo intervalo do ano passado, alta de 23,3%.
Rede de proteção e políticas públicas
A secretária de Estado das Mulheres, Zenaide Lustosa, destacou a importância da estrutura de atendimento às vítimas no estado. Segundo ela, nenhuma mulher acompanhada pela Patrulha Maria da Penha foi vítima de feminicídio no ano passado.
A secretária também ressaltou a expansão de órgãos municipais voltados à política para mulheres. Atualmente, o Piauí conta com 81 secretarias municipais da área. Segundo ela, cerca de 60% dos casos de violência ocorreram em municípios que ainda não possuem esse tipo de estrutura.
Independência financeira como fator de proteção
A delegada Bruna Fontenele, diretora de Proteção à Mulher e Grupos Minoritários, afirmou que políticas voltadas à autonomia econômica das mulheres também podem contribuir para reduzir a violência.
Segundo ela, ações como qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho ajudam vítimas a conquistar independência financeira, o que pode facilitar decisões como romper ciclos de violência.
Como delegada de polícia, que atua no enfrentamento à violência contra a mulher, uma das formas de reduzir esse tipo de violência é dar oportunidade para que a partir dessa independência financeira, desse empoderamento, ela tenha autonomia para tomar suas decisões.