Matéria escrita pela jornalista Jéssica Machado.
O caso do atropelamento de Edson Barbosa Dias é considerado pela polícia civil como homicídio doloso qualificado, na modalidade de dolo eventual, quando se assume o risco de matar. Em entrevista à Rede Meio Norte, o delegado Carlos César Carvalho, da Delegacia de Trânsito, destacou que o engenheiro Carlos Eduardo Marques Ângelo pode ser julgado pelo Tribunal do Júri.
A vítima foi violentamente atingida por um carro, conduzido por Carlos Eduardo, enquanto estava parado em sua motocicleta esperando o sinal abrir na Avenida Frei Serafim, em Teresina, no último domingo (15).
Pelo fato do engenheiro ter assumido o risco de produzir aquele resultado. Ele bebeu voluntariamente, ficou bêbado porque quis e depois provocou o acidente. Isso em direito se diz dolo eventual, e ele vai responder perante o Tribunal do Júri. A gente recebeu o caso, o inquérito policial tá em andamento.
O delegado reforçou que a polícia está colhendo novas provas e aprofundando a investigação. Isso inclui a oitiva de testemunhas presentes na cena do acidente, como funcionários do posto de gasolina onde o carro parou após a colisão.
Um passo importante na investigação é fazer a dinâmica do indiciado na noite anterior, onde ele esteve, eh o para a gente especificar o grau de consumo de bebida alcoólica e de substâncias entorpecentes que a gente percebe que estavam dentro do veículo.
TRIBUNAL DO JURI
O Tribunal do Júri é o órgão do Poder Judiciário responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, ou seja, aqueles em que há intenção de matar ou quando o agente assume o risco de causar a morte, como no caso do dolo eventual.
O julgamento é composto por um juiz de direito, que preside a sessão, e por sete jurados, escolhidos entre a população. São esses jurados que decidem, por maioria, se o réu é culpado ou inocente, com base nas provas apresentadas pela acusação e pela defesa.
O CASO
Com o impacto, a motocicleta da vítima foi arrastada por cerca de 40 metros. O caso foi registrado por câmeras de monitoramento. No veículo, que era conduzido por Carlos Eduardo, foram encontradas garrafas de bebidas alcoólicas parcialmente consumidas, porções de maconha, triturador e seda.
A gente, nesse caso, devido as câmeras de monitoramento, a gente tem a dinâmica do acidente muito bem registrada, né? Essa cena impactante que todos vimos da vítima sendo colidida pela traseira, de uma forma que não conseguiu oferecer nenhuma resistência, nenhuma capacidade de sair da frente do veículo, disse o delegado Carlos César.
O motorista foi contido por populares, levado à Central de Flagrantes, recusou o teste do bafômetro e apresentava sinais de transtorno, segundo a polícia. Conforme o delegado, Carlos estava em uma casa noturna antes do crime.
Há indícios de que ele de fato consumiu não só bebida alcoólica como também entorpecentes antes de ter tirado da vida do seu Edson. A presença dele em casa noturna em Teresina é confirmada, mas nós estamos ainda trazendo provas sobre isso.
A vítima
Edson era natural de Grajaú (MA), morava em Teresina, trabalhava como motorista de aplicativo e já havia sido candidato a vereador, com planos de disputar as próximas eleições.