Uma mulher identificada como Lucila Meireles Costa, de 42 anos, foi presa na manhã desta sexta-feira (20), em Teresina (PI), suspeita de se passar por advogada. Ela é alvo da Operação Erga Omnes, que desarticulou uma organização criminosa com atuação estruturada nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional.
Segundo as investigações, ela corrompia servidores da Justiça no Amazonas para obter informações de processos sigilosos. Contra ela foi cumprido um mandado de prisão preventiva no Centro da capital piauiense, por meio da Diretoria de Operações Policiais (DEOP).
Durante a ação, os policiais apreenderam aparelhos eletrônicos, anotações e um token de uma advogada inscrita na OAB-AM, que estaria sendo utilizado ilegalmente pela suspeita. A presa já foi interrogada e encaminhada ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça do Amazonas.
INVESTIGAÇÕES
A investigação, que teve alvos no Amazonas, Piauí, Minas Gerais, Ceará, Pará e Maranhão, apura:
- Organização criminosa;
- Tráfico de drogas e associação para o tráfico;
- Corrupção ativa e passiva;
- Violação de sigilo funcional;
- Lavagem de dinheiro.
Segundo a polícia, há indícios de alcance interestadual das movimentações financeiras, com transações suspeitas e vínculos com investigados nos estados citados, evidenciando uma rede ampliada de fornecimento, financiamento e distribuição de drogas.
A operação deflagrada nesta sexta-feira (20) é um desdobramento da apreensão de mais de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga, um veículo utilitário empregado na logística terrestre, além de aparelhos celulares.
Na ocasião, um dos envolvidos foi preso em flagrante. Posteriormente, foi instaurado inquérito policial para identificar a cadeia de comando, os operadores logísticos, os financiadores e os colaboradores do esquema criminoso.
COMO FUNCIONAVA A ORGANIZAÇÃO
As investigações apontam que o grupo atuava com divisão de tarefas e núcleos operacional, financeiro e logístico. A organização utilizava rotas fluviais e terrestres para transportar drogas, veículos alugados em nome de terceiros e empresas de fachada para ocultar e movimentar dinheiro ilícito.
Relatórios de inteligência identificaram movimentações bancárias atípicas e incompatíveis com a renda declarada dos investigados, além de transferências entre membros do grupo e empresas ligadas à organização. A extração de dados de celulares ajudou a mapear a estrutura criminosa.
Também há indícios de tentativa de acesso a informações sigilosas para antecipar ações policiais. Com base no conjunto probatório, composto por relatórios de investigação, análises financeiras, dados telemáticos e outros elementos técnicos, a PC-AM representou ao Poder Judiciário pela adoção de diversas medidas cautelares, entre elas:
- Cumprimento de mandados de prisão preventiva;
- Cumprimento de mandados de busca e apreensão;
- Quebra de sigilo bancário e fiscal;
- Bloqueio de bens e valores;
- Sequestro de bens e valores;
- Outras medidas investigativas complementares.