Mais um golpe milionário, supostamente articulado pelos proprietários de uma empresa, foi desarticulado pela Polícia Civil do Piauí. A empresa se apresentava nas redes sociais como especialista em consórcios, financiamentos e venda de veículos.
Na última quarta-feira (26), dois empresários foram presos em ações realizadas no Piauí e em Pernambuco. Já na sexta-feira (28), o terceiro investigado foi preso pela Polícia Federal no momento em que desembarcava no aeroporto do Distrito Federal. Segundo a polícia, ele tinha como destino o estado de Goiás.
COMO FUNCIONAVA O GOLPE?
Conforme as investigações, o grupo anunciava veículos nas redes sociais com taxas de financiamento abaixo do mercado. As publicações eram feitas principalmente no Facebook e prometiam entrega rápida e condições facilitadas de pagamento. No entanto, após o pagamento das supostas entradas, os veículos não eram entregues.
As vítimas eram posteriormente informadas de que haviam aderido, na verdade, a um consórcio ou financiamento. Ao cobrarem a entrega dos veículos ou a devolução dos valores, recebiam justificativas consideradas vagas. Em alguns casos, as empresas alegavam que o prazo para rescisão contratual já havia expirado.
“Desde agosto do ano passado, a gente já vinha fazendo procedimentos. Fizemos um inquérito e, mesmo com o indiciamento nesse inquérito, eles continuaram reiterando nessa prática. [...] Eles faziam proposta que iam fazer financiamento com condições extremamentes vantajosas, que a pessoa dependendo da entrada ia receber o veículo em poucos dias”, disse Walter Cunha, delegado da 12ª DP.
VÍTIMAS
Segundo a polícia, o grupo utilizava pelo menos três CNPJs ligados às empresas. Além do Piauí, há registros de vítimas nos estados do Maranhão, Amapá, Tocantins, Goiás e também em Roraima. O delegado ainda informou que um dos empresários, conforme consulta ao Banco Central, não tinha autorização para vender veículos.
“A pessoa pegava todas suas economias e dava de entrada valores de R$ 12 mil, R$ 15 mil, R$ 16 mil, e fornecia como entrada. Depois que davam essa entrada, eram submetidos a um contrato, que não liam no momento. Após isso, que o carro não era entregue nesse curto espaço de tempo prometido, eles verificavam que se tratava de um suposto consórcio”, afirmou o delegado.
Até o momento, mais de 50 vítimas procuraram a delegacia relatando prejuízos que, somados, ultrapassam R$ 1 milhão. Algumas pessoas afirmam ter perdido até R$ 12 mil pagos como entrada para aquisição dos supostos veículos. Uma das vítimas denunciou ter tido prejuízo de R$ 13 mil após a promessa de uma carta de crédito que seria utilizada como lance para a compra de uma casa.
Com a repercussão do caso, as lojas que funcionavam em Teresina foram fechadas. A Justiça expediu mandados de busca e apreensão, além da suspensão das atividades comerciais das empresas investigadas por estelionato. Também foi solicitado o bloqueio das contas dos investigados, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento às vítimas.
“O Juiz da central de inquéritos deu a decisão suspendendo as atividades comerciais dessas três pessoas jurídicas que funcionam aqui, e dessa financeira que funciona no estado de Goiás. Então todas elas tiveram suas atividades suspensas”