- José Alves da Costa Filho, esposo de Brígida Bianca, foi preso em flagrante após agredir a esposa com socos.
- As agressões ocorreram na noite do domingo (3) em frente ao estabelecimento comercial de Brígida, no bairro Dirceu, zona Sudeste de Teresina.
- Brígida relatou que o esposo passou dois dias desaparecido e que ela estava com medo de ser agredida novamente.
- O crime foi registrado por câmeras de segurança e a Polícia Militar foi acionada após denúncia da irmã de Brígida.
Texto pela jornalista Jéssica Machado.
Quinze anos de sofrimento, medo e comportamentos agressivos, vividos em silêncio, com dor e angústia. Um ciclo que foi quebrado na noite do último domingo (3), após socos que deixaram mais do que ferimentos físicos e hematomas em Brígida Bianca, em frente ao seu estabelecimento comercial, no bairro Dirceu, zona Sudeste de Teresina.
Seu esposo, José Alves da Costa Filho, foi preso em flagrante e passa por audiência de custódia nesta terça-feira (5). Em um relato doloroso à Rede Meio Norte, Brígida contou que ele passou dois dias seguidos desaparecido e depois retornou para casa. Ela ainda chegou a se esconder no quintal com medo de ser agredida.
No sábado que ele chegou e eu tive que ficar escondida no quintal, por eu estava com medo do que é que ele ia fazer comigo, por que ele tinha passado quinta e sexta sumido. Eu estava com medo de sábado apanhar também e os meninos não estavam aqui, estavam na casa da minha irmã, disse.
DIA DAS AGRESSÕES E PRISÃO
No domingo (3), eles acordaram, tomaram café, deixaram os filhos na casa da mãe de José e foram para o estabelecimento onde Brígida estava montando sua imobiliária para limpar o local e prepará-lo para a inauguração.
Ele começou a ficar estranho e inquieto. Eu não sei o que era que ele tinha. Eu disse 'Márcia, eu acho que ele quer ir para casa, vamos comprar mais cerveja’, por que eu já estava com medo de ele vim e querer me agredir aqui em casa e eu não ter o que fazer e aí a gente tentou. Eu disse ‘vamos demorar mais um pouco, por que ou ele vai me bater para saír ou eu não sei o que eu vou fazer'.
Segundo ela, José pediu a chave do carro para ela, afirmando que iria sair para resolver um assunto. Ao perguntar o que ele iria fazer, o suspeito pegou a chave do balcão e desferiu o primeiro soco na boca de Brígida. As outras pessoas que estavam junto ao casal levaram José para fora do local e o questionaram sobre o porquê da agressão.
Eu levanto do banco e saio, na hora que eu chego perto dele novamente ele já da um soco no meu olho, já é o segundo soco. O André começa a discutir e querer acalmar ele, a irmã dele também. Quando eu chego perto de novo, para dizer para ele parar, ele já da o outro, que é no meu nariz, onde eu caio e bato a cabeça no chão. Eu não sei lhe explicar o que levou [as agressões], na verdade, nunca teve explicação. Foram 15 anos desse jeito e sempre me calei. [...] Eu vivia 15 anos calada.
Brígida relatou que funcionários chegaram a presenciar ele proferindo xingamentos e a tratando mal. “ Eu só pedia ‘para cara, porque que tu é assim?’. O que que te falta nessa casa? Eu te dou tudo o que tu precisa. Não falta amor, não falta carinho. Os filhos são saudáveis. O que você queria?’. Eu não entendia isso”, relatou.
Conforme a vítima, ela passou a fazer uso de remédios controlados para conseguir dormir, em virtude do comportamento do esposo. “Nesse dia eu denúnciei ele, mas eu estou com muito medo agora também. Minha irmã que acionou [a PM] na hora que me viu, eu não teria nem coragem, como eu nunca tive nesses 15 anos. Fiquei toda suja de sangue, não tinha o que fazer não, se eu tivesse vindo para casa, tinha sido pior”, disse.
Ela relatou que corportamento agressivo foi vivenciado pelos filhos, que pediam para o pai não agredi-la. Segundo Brígida, ele proferia ameaças caso ela denunciasse.
Muito dependente emocional dele. Ele sabia como me manipular, como me calar. Eu não conseguia trabalhar, eu não conseguia viver. Tinha dias que eu nem me levantava, que vivia na medicação controlada. Os laudos do psicologo era cada vez pior. A escola reclamava que as crianças chegavam chorando porque tinha presenciado surra e briga, quebradeira, dentro de casa, finalizou a vítima.
CRIME FOI REGISTRADO POR CÂMERAS
O crime doi registrado por câmeras de segurança. Em vídeo, o suspeito aparece ao lado da vítima e de outras duas pessoas, momento em que desfere um soco no rosto da companheira. Em seguida, ele a agride novamente, fazendo com que ela caia no chão e precise de ajuda. Segundo familiares, após entrarem no estabelecimento, houve novas agressões.
A Polícia Militar foi acionada e, ao chegar à residência, encontrou José em frente ao imóvel com a mãe. Ele entrou na casa, fechou o portão e só abriu após insistência dos policiais, recusando-se inicialmente a sair. O suspeito, que é mecânico, foi preso e encaminhado à Central de Flagrantes.