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“Quem a porca vai comer este ano?”: lenda popular teria surgido em Campo Maior

Expressão usada para falar de derrotas nas urnas é cercada por diferentes versões e teria origem em histórias contadas há décadas no município piauiense

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  • Expressão "a porca comeu" surge em eleições no Piauí como brincadeira sobre resultados inesperados.
  • Historia da porca foi contada por Cunha Neto em cordel sobre derrota eleitoral de Manuca em 1976.
  • Outra versão diz que porcos destruíram urna com votos falsos, originando a expressão.
  • Tradição oral passa a expressão de geração em geração, sem comprovação histórica definitiva.
  • A frase volta a ser usada em eleições, alimentando brincadeira sobre candidatos e resultados.
Expressão “a porca comeu” é cercada por diferentes versões no Piauí | Reprodução
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Em todo ano de eleição, uma expressão curiosa volta a aparecer nas conversas políticas do Piauí: “a porca comeu”. A frase é usada, geralmente, quando um candidato perde uma eleição ou tem um resultado diferente do esperado. Segundo relatos da tradição popular, a história teria surgido em Campo Maior, no Norte do Piauí.

A história de Manuca

Uma das versões conta que, em 1976, um comerciante chamado Manoel Pereira da Silva, conhecido como “Manuca”, foi candidato a vereador em Campo Maior. 

Segundo o relato, uma porca teria sido vista fuçando restos de material de campanha que estavam em um lixo em frente ao comércio dele. Foi então que alguém teria feito uma brincadeira com o candidato: “Cuidado, Manuca… senão a porca te come!”

(Foto: Helder Felipe/ Meio Norte)

Manuca foi eleito. Já o amigo dele, o poeta e cordelista Cunha Neto, perdeu a eleição e transformou a derrota em motivo de humor em um cordel sobre o episódio.

O historiador e membro da Academia Campomaiorense de Artes e Letras (ACALE), Celso Chaves, afirma que esse seria o primeiro registro documental conhecido da história:

 “Esse é o primeiro registro que nós temos, onde ele fala de sua derrota, fala também dos companheiros que estavam ali na sua luta política, que também perderam a eleição, mas fala também dos que ganharam, aproveita pra falar da questão da consciência política. Então esse é o primeiro registro, é um cordel de 76, dezembro de 76, onde, de forma humorística, ele vai contar a sua trajetória política nesse ano eleitoral.”

A versão da urna

A segunda versão remonta à década de 1960 e envolve uma suposta fraude eleitoral. De acordo com a tradição oral, um candidato teria preparado uma urna com votos falsos para favorecer sua candidatura. A urna teria sido escondida em um local onde havia porcos. Quando foram procurar o material, as cédulas teriam sido destruídas pelos animais. A história teria dado origem à expressão de que “a porca comeu”.

Celso Chaves ressalta que essa versão não possui documentação histórica conhecida:

“Essa versão que nós conhecemos, sem documentação, é uma da tradição oral, passada de boca em boca, de geração em geração.”

(Foto: Helder Felipe/ Meio Norte)

Expressão atravessa gerações

Com o passar das décadas, a história foi sendo contada e adaptada, tornando-se uma das lendas mais conhecidas relacionadas à política popular do Piauí.

Embora existam registros e relatos sobre a história, não há uma comprovação histórica definitiva sobre qual das versões deu origem à expressão. O fato é que, a cada eleição, a velha história volta a aparecer. E, com tantos candidatos disputando votos, fica a pergunta que alimenta a brincadeira:

quem será que a porca vai “comer” este ano?

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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