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“Cresci junto com a cidade”: Lilly Araújo e as memórias de uma Teresina que revelou sua voz

Cantora começou a se apresentar aos 17 anos e acompanhou as transformações da noite e da música na capital

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  • Lilly Araújo começou a cantar aos 17 anos em bares de Teresina, inicialmente com MPB e depois com pop rock.
  • A cantora fundou a Banda Bali em 1995, grupo que gravou cinco CDs e três DVDs, consolidando sua carreira.
  • Na noite de Teresina nos anos 1990, a música ao vivo era central, com espaços como Nós e Elis e Chez Matrinchan.
  • A transformação da cidade impactou a relação entre artistas, público e casas de shows, com maior diversidade de opções e formatos.
  • Hoje, Lilly Araújo mantém ligação com a música e a cidade, que marcou a trajetória de sua carreira.
Lilly Araújo e as memórias de uma Teresina que revelou sua voz | Foto: Arquivo Pessoal
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Aos 17 anos, Lilly Araújo começou a cantar em barzinhos de Teresina, inicialmente com repertório de MPB e depois de pop rock, em uma trajetória que a levaria à Banda Bali e a diferentes momentos da música piauiense. Em entrevista ao Meio News, a cantora relembra os primeiros palcos, os espaços que marcaram a noite da capital nos anos 1990 e as mudanças na relação entre artistas, público e casas de shows ao longo de mais de três décadas.

A trajetória profissional de Lilly começou por volta de 1993/1994, quando cantar ainda era tratado por ela como uma atividade despretensiosa. Registros sobre a carreira da artista também apontam que ela começou aos 17 anos em barzinhos de Teresina e, em 1995, foi convidada para fundar a Banda Bali, grupo no qual gravou cinco CDs e três DVDs.

Uma noite diferente

Quando começou a se apresentar, Lilly encontrou uma Teresina com uma vida noturna mais concentrada em bares, boates e pequenas casas de shows, onde a música ao vivo tinha papel central.

“Era uma noite muito mais boêmia e muito ligada à música ao vivo”, relembra.

Segundo a cantora, os espaços reuniam pessoas que saíam para ouvir música, encontrar amigos, conversar e dançar. Ela passou por diferentes públicos e ambientes à medida que mudou do repertório de MPB e pop rock para outros estilos e, posteriormente, para a Banda Bali.

A memória dessa cena também aparece em pesquisas sobre a vida cultural de Teresina nas décadas de 1980 e 1990. Estudos apontam bares como o Nós e Elis entre os espaços frequentados por músicos e artistas, funcionando como locais de apresentações e convivência cultural. O estabelecimento funcionou entre 1984 e 1994/1995 e ficou marcado na memória da cena artística da capital.

Lilly Araújo cantando na Banda Bali - Foto: Arquivo Pessoal

Lugares que ficaram na memória

Ao lembrar dos locais onde músicos se apresentavam, Lilly cita nomes como Nós e Elis, Chez Matrinchan, Doce Vida, Agaves, MPBar, Zanzibar e Aquarius. Depois, também vieram espaços como Toda Lua, Mais Um e Templum Pantheon.

A cantora guarda uma lembrança especial do primeiro local onde se apresentou com o grupo Camaleão, em um bar localizado na esquina das avenidas Dom Severino e Nossa Senhora de Fátima.

“Hoje tem outra coisa naquele lugar, mas quando passo ali, eu ainda consigo lembrar daquela menina começando a cantar.”

Outro momento marcante foi a estreia da Banda Bali, em abril de 1995. A própria cantora já registrou que o primeiro show ocorreu em 23 de abril de 1995, na boate Chez Matrinchan.

A Banda Bali foi fundada em 1995 e passou a realizar apresentações em Teresina. O grupo posteriormente lançou o primeiro CD, Dia de Verão, em 1999, e construiu uma trajetória marcada por diferentes formações e sucessos.

Da brincadeira à carreira

O início, segundo Lilly, não tinha como objetivo construir uma carreira profissional.

“Meu começo na música foi bem despretensioso. Não fazia parte dos meus planos ser ‘cantora’. Então eu encarava tudo como um hobby, de uma maneira bem leve e sem muitas cobranças.”

A experiência nos palcos, porém, acabou se transformando em profissão. Na Banda Bali, Lilly também passou a atuar como compositora e participou de gravações que marcaram a história do grupo. Entre as músicas associadas à sua trajetória estão “Não Vou Negar”, “Bad Boy”, “A Ex ou Eu”, “A Vez da Ex” e “Ainda Te Amo”.

A relação da cantora com a Bali se estendeu por quase 14 anos. Em 2009, ela anunciou sua saída do grupo para seguir carreira solo.

Lilly Araújo relembra sua carreira em Teresina - Foto: Arquivo Pessoal

Uma cidade em transformação

Para Lilly, as mudanças na noite de Teresina acompanham o próprio crescimento da cidade.

“Quando comecei, nos anos 90, a cidade era menor e a vida noturna era muito mais concentrada.”

Ela lembra de um período em que as bandas locais tinham presença constante nos bares e casas de shows. Com o passar dos anos, a cidade ganhou novos formatos de entretenimento, grandes eventos, restaurantes e outros espaços destinados à música.

Na avaliação da cantora, uma das principais mudanças foi a relação do público com os locais de diversão.

“Naquela época, a gente tinha uma relação muito próxima com os lugares e com os artistas.”

O público também mudou

A transformação atingiu também o público que frequenta os shows. Lilly afirma que atualmente existe uma oferta maior de opções de lazer, o que pulverizou a noite.

Ela cita as casas Toda Lua e Mais Um como exemplos de espaços que, nos anos 2000, reuniam grandes públicos. Segundo a cantora, hoje há uma presença maior de um público maduro nos eventos, enquanto parte dos jovens prefere encontros menores e reuniões entre amigos.

Outro fator apontado por ela é a duração dos estabelecimentos. Para Lilly, muitos espaços atualmente permanecem pouco tempo em funcionamento, dificultando a construção de uma relação afetiva entre o público e a casa.

Música na era digital

A forma de trabalhar também mudou. Se antes os músicos dependiam principalmente das casas de shows, produtores, rádio e divulgação boca a boca, hoje as redes sociais e as plataformas digitais permitem que os artistas construam diretamente uma relação com o público.

“A internet democratizou muita coisa”, afirma Lilly.

Por outro lado, ela destaca que a transformação também trouxe uma concorrência maior e a necessidade de produção constante de conteúdo para manter a presença nas redes.

Mesmo com as novas possibilidades, viver exclusivamente de música continua sendo um desafio, segundo a cantora.

Lilly Araújo relembra sua trajetória - Foto: Arquivo Pessoal

Valorização dos artistas locais

Ao falar sobre a relação do público com os artistas de Teresina, Lilly reconhece a existência de carinho e orgulho pela produção local, mas defende a ampliação das oportunidades.

“Muitas vezes o artista local precisa provar seu valor antes de receber o mesmo reconhecimento que alguém que vem de fora. Teresina tem muito talento.”

Para a cantora, a criação de espaços e oportunidades de trabalho é importante para que novos artistas consigam desenvolver suas carreiras na própria cidade.

Uma história ligada à cidade

Depois de mais de três décadas nos palcos, Lilly diz não conseguir separar sua trajetória da história de Teresina.

“Teresina é onde a minha história começou. É a cidade que me viu subir no palco pela primeira vez, mesmo sem pretensão nenhuma de seguir uma carreira artística, ainda muito jovem, errar, aprender, amadurecer e construir uma história.”

A cantora afirma que muitos dos seus lugares de memória estão ligados à capital e que acompanhou as transformações da cidade ao mesmo tempo em que desenvolvia sua carreira.

“Eu cresci junto com essa cidade.”

Hoje, Lilly Araújo segue ligada à música e mantém no repertório parte das canções que marcaram sua passagem pela Banda Bali. A trajetória iniciada nos pequenos bares de Teresina nos anos 1990 atravessou diferentes fases da noite da capital e acompanhou mudanças na forma de produzir, divulgar e consumir música.

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