- Policial militar Gabriel Veras Tomaz Silva é acusado de agressão e abuso contra ex-namorada.
- Laudos médicos indicam que o policial sofreu mais de 30 agressões, contrariando a denúncia inicial.
- Defesa do PM afirma que as lesões ocorreram durante tentativa de retirar arma das mãos da ex-namorada.
- Policial foi afastado das atividades e deixou de frequentar curso de Direito após a repercussão do caso.
Dezessete dias após a denúncia de agressão e abuso envolvendo o policial militar Gabriel Veras Tomaz Silva, e com a conclusão dos laudos médicos, a defesa do agente procurou o MeioNews para apresentar sua versão dos fatos. De acordo com o advogado, os documentos apontam um cenário diferente do inicialmente relatado. Um dos laudos, ao qual a reportagem teve acesso, indica que o policial teria sofrido mais de 30 agressões.
A defesa reforça que o laudo contraria a denúncia de que a vítima teria sido agredida pelo policial militar. (Leia o relato da jornalista).
Não houve lesão, não houve agressão; em momento nenhum, ela pediu socorro. Ela alega que foi mantida em cárcere. Quando a autoridade policial chegou ao apartamento, o imóvel estava trancado, mas ele (PM) não tinha a chave; as chaves estavam com ela, dentro do quarto. E por que ela estava trancada? [...] O que Gabriel relata é que, ao saber onde ficava a arma dele, ela a pegou e disse que iria atirar nele e se matar; ele conseguiu desmuniciar a arma e a trancou dentro do quarto. Com receio das possíveis consequências, manteve a porta fechada até a chegada da autoridade policial, disse o doutor Cantuário Filho, defesa do PM.
ENTENDA
- O caso veio à tona no dia 26 de abril de 2026, quando a vítima, que é jornalista, denunciou ter sofrido uma série de agressões e até ameaça de morte por parte do policial militar, que na época era seu namorado;
- No dia 30 de abril, a jornalista e sua defesa falaram ao MeioNews. Ela afirmou que conhecia o PM desde 2022 e que os dois moravam juntos havia cerca de seis meses;
- Segundo o relato, a primeira agressão teria ocorrido durante a Semana Santa, e o policial não aceitava o fim do relacionamento;
- Em contrapartida, a defesa do PM sustenta com prints de mensagens que, após esse período, ele teria sido procurado por ela até o dia 26 de abril, data em que o caso foi registrado.
Após essa situação, ele saiu da casa do casal, do apartamento que ele tinha alugado, e ele disse que não tinha mais nada para tratar com ela. Em algumas mensagens de texto, ela pede para conversar com ele pessoalmente, ele disse que não é não, que ele já tinha dito que não tinha mais nada a tratar com ela, que ele iria tratar somente pelo celular, inclusive contas do casal, despesas do apartamento, acrescentou a defesa do PM.
Assista ao relato da jornalista!
PM AFASTADO
Com a repercussão do caso, o policial militar foi afastado das atividades nas ruas e também deixou de frequentar as aulas do curso de Direito. A defesa cobra mais esclarecimentos sobre o caso.
Durante conversa com a jornalista, o MeioNews observou marcas de agressão no corpo dela. Questionada, a defesa do policial afirmou que as lesões teriam ocorrido no momento em que ele tentava retirar a arma de fogo das mãos da jornalista.
O MeioNews procurou, por duas vezes, a Casa da Mulher Brasileira para obter informações sobre o andamento das investigações e a versão oficial do caso, mas não houve retorno.