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Delegado aponta dificuldade para ressarcir vítimas do “Pagode do Chico”

Segundo Delegado, apesar da movimentação superior a R$ 600 milhões, as contas ligadas ao empresário e à Xtreme Trader estavam praticamente zeradas quando a Justiça determinou o bloqueio de bens

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  • Empresário "Pagode do Chico" se entregou à polícia em Teresina após um ano foragido.
  • Investigação revela movimentação de R$ 600 milhões, mas contas sem saldo disponível.
  • Demora das vítimas em reconhecer o golpe permitiu transferência de recursos.
  • Policia bloqueia R$ 14 milhões, mas vítimas devem comprovar origem dos recursos.
  • Chico e companheira fugiram para Paraguai após operação deflagrada em setembro de 2025.
Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como "Pagode do Chico", se entregou à Polícia Civil após quase um ano foragido | Foto: Meio Norte
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Após quase um ano foragido, o empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como "Pagode do Chico", se entregou à Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (22), em Teresina. Durante coletiva de imprensa, o delegado Luciano Alcântara, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), explicou por que o ressarcimento das vítimas do suposto esquema de pirâmide financeira deve ser uma das maiores dificuldades da investigação.

Segundo o delegado, embora a investigação tenha identificado uma movimentação financeira superior a R$ 600 milhões entre as contas do empresário e da Xtreme Trader, praticamente não havia saldo disponível quando as medidas judiciais foram executadas.

"Na conta da Xtreme Trader tinha centavos, não tinha nem um real. Na conta dele, se tinha mais de um real, era muito também. Eram apenas centavos", disse.

Movimentação milionária, mas contas sem recursos

Luciano Alcântara explicou que a cifra bilionária se refere ao volume de dinheiro que circulou pelas contas durante o funcionamento do esquema, e não ao patrimônio encontrado pelas autoridades.

"Olha, o que nós temos de informação, e isso faz parte da investigação financeira, é a movimentação financeira dele e da empresa, que ultrapassa R$ 600 milhões. Ou seja, circularam mais de R$ 600 milhões. É um cálculo contábil entre as contas do Francisco e da empresa dele."

De acordo com o delegado, a demora das vítimas em perceber que haviam sido enganadas permitiu que o investigado retirasse os recursos das contas antes das medidas de bloqueio.

"Porém, ao final da investigação, nós temos que ter em mente que ele foge em maio de 2025. Ele foge e demora um pouco para as vítimas entenderem que se tratava de um golpe. Isso é comum. As pessoas demoram a entender que é um golpe."

Segundo ele, esse intervalo foi suficiente para que o dinheiro fosse transferido para outras contas, tornando o rastreamento e a recuperação dos recursos ainda mais complexos.

"Então, as pirâmides financeiras têm essa característica. As vítimas não reconhecem que a pessoa é o seu algoz. Por isso, demora para comparecerem, demora para registrarem o boletim de ocorrência, e essa demora faz com que ele consiga retirar o dinheiro e enviar valores para outras contas. Foi aí que entrou a investigação financeira que nós realizamos."

A Polícia Civil informou que conseguiu o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 14 milhões, mas ressaltou que pessoas que receberam valores do investigado precisarão comprovar a origem lícita dos recursos.

"Nós solicitamos o bloqueio de aproximadamente R$ 14 milhões. Esse bloqueio foi deferido. Porém, agora, essas pessoas que, em tese, receberam alguns valores dele terão que provar que receberam esses recursos de forma lícita."

Entenda o caso

Francisco das Chagas Chaves da Silva era procurado internacionalmente desde 2025, suspeito de comandar um esquema de pirâmide financeira que teria causado prejuízo estimado em mais de R$ 600 milhões a investidores no Piauí e no Maranhão. Segundo a Polícia Civil, ele permaneceu escondido no Paraguai até decidir se entregar após a repercussão internacional do caso.

Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como "Pagode do Chico", e a companheira, Kayra Cardoso Guimarães (Foto: Reprodução/  Meio Norte)

As investigações apontam que o empresário prometia rentabilidade mensal de até 10% aos investidores por meio da Xtreme Trader. A empresa operava sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e mais de 300 vítimas já foram identificadas pela polícia.

Em setembro de 2025, a Polícia Civil deflagrou a Operação Extrema Confiança, que cumpriu mandados no Piauí e no Maranhão e resultou na prisão de dois investigados ligados ao esquema. Segundo a corporação, Chico e a companheira, Kayra Cardoso Guimarães, fugiram para o Paraguai logo após o avanço das investigações.

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