SEÇÕES

Dia da Visibilidade Trans: conheça mulheres trans piauienses que marcaram a luta por direitos no Brasil

Da política à educação, mulheres trans piauienses seguem transformando espaços historicamente marcados pela exclusão

Mulheres trans piauenses de destaque | Foto: Reprodução/Redes Socias
Siga-nos no

Há mais de 20 anos, um movimento mudou por completo a luta pelos direitos de mulheres trans no Brasil. Em 29 de janeiro de 2004, um grupo de ativistas lançou a campanha “Travesti e Respeito” no Congresso Nacional, em Brasília. Elas buscavam igualdade, respeito e dignidade para uma parcela da população extremamente marginalizada.

Essa foi a primeira vez na história brasileira que um grande ato institucional contra a transfobia, focado na luta por direitos, saúde e no combate à violência, foi realizado.

Décadas depois, essa data ainda é lembrada como um ato de coragem e uma forma de denunciar a marginalização e exigir acesso à educação, ao trabalho e à saúde para mulheres trans. Pensando nisso, o MeioNews reuniu cinco figuras emblemáticas, genuinamente piauienses, que deixaram contribuições em diferentes esferas da sociedade e lutaram pelos direitos dessa comunidade.

Kátia Tapety

Kátia Tapety - Foto: Divulgação

Kátia Nogueira Tapety, nascida em 24 de abril de 1949, é natural do município de Oeiras e foi a primeira mulher transexual a se eleger para um cargo político no Brasil.

Na política, deixou sua marca. Foi eleita vereadora em Colônia do Piauí por três mandatos consecutivos, em 1992, 1996 e 2000. Além disso, Kátia também presidiu a Câmara Municipal do município entre 2001 e 2002.

Letícia Carolina NASCIMENTO

Natural de Parnaíba, no litoral do Piauí, Letícia Carolina Nascimento é uma autora, pedagoga e professora acadêmica brasileira. Com forte atuação na educação, Carolina é pesquisadora na área de Gênero e Educação.

Letícia Carolina Nascimento - Foto: Reprodução/Redes Sociais 

Com um currículo impecável e mesmo sendo alvo de preconceitos, Letícia nunca demonstrou medo de carregar uma bandeira tão importante.  Ela também se tornou a primeira mulher travesti a ocupar uma cátedra em uma universidade pública piauiense, a Universidade Federal do Piauí (UFPI). Dessa forma, Carolina quebrou paradigmas e barreiras impostas por uma sociedade preconceituosa.

Maria Laura dos Reis

Maria Laura dos Reis é ativista LGBTQIA+ e auxiliar de Gestão na Diretoria de Cidadania para a População LGBTQIAPN+ da Superintendência de Direitos Humanos da Secretaria do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (Sasc).

Maria Laura dos Reis - Foto: Reprodução/Redes Sociais 

Além disso, ela é presidenta do Grupo Piauiense de Transexuais e Travestis (GPTRANS), organização que luta por respeito, direitos e visibilidade da população trans no estado.

Joseane Gomes Santos Borges

Joseane Gomes Santos Borges se tornou a primeira mulher trans a se formar como bacharel em Serviço Social no Piauí. Ela é diretora de Promoção da Cidadania LGBTQIA+ e também representante do Grupo Mulheres do Brasil.

Joseane Borges - Foto: Reprodução/ Redes Sociais 

A assistente social é extremamente ativa na luta pelos direitos humanos, inclusão e apoio à população transexual no Piauí. Além disso, ela desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) com o tema “Travestis e Transexuais no Sistema Prisional: avanços e conquistas na política de acolhimento”, trazendo à tona a exclusão social vivenciada por mulheres trans desde muito cedo — realidade que se agrava quando essas mulheres passam pelo sistema prisional.

Samdra Dee 

Samdra Dee é uma peça fundamental da cena cultural alternativa de Teresina. Ela é ativista, feminista e atua como DJ, produtora cultural e artista visual. 

Samdra Dee - Foto: Reprodução/Redes Sociais 

Além disso, é autora do livro "Antologia de uma corpa poética". Possui longa trajetória levando o melhor da arte pelo Centro de Teresina e também é DJ na cena reggae, incluindo participações em eventos como o Reggaezim Downtown. 

LUTA TRANS

Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) apontam que o Brasil permanece sendo o país que mais mata mulheres trans no mundo. Apesar da redução de 16% nas mortes em 2024, o Brasil lidera, pelo 16º ano consecutivo, os índices globais de assassinatos contra essa população são alarmantes. Em sua grande maioria, as vítimas são mulheres trans, jovens, negras e nordestinas, com crimes marcados por extrema violência.

O Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado nesta quinta-feira (29), é um momento para relembrar a importância da luta e a necessidade do combate à violência contra a comunidade.   

Tópicos
Carregue mais
Veja Também