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Dia do Repórter: jornalistas da TV Meio Norte contam desafios e bastidores da profissão

Três gerações de profissionais do Piauí compartilham experiências, desafios e a responsabilidade de informar em tempos de transformação digital.

Dia do Repórter | Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
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O Dia do Repórter, comemorado nesta segunda-feira (16), é uma forma de trazer a memória um profissão baseada no poder da comunicação e na responsabilidade que exige olhar apurado, determinação e coragem para lidar com rotinas intensas e imprevisíveis.

Não existem registros históricos que revelem a origem da data. No entanto, no Brasil, a circulação de grandes jornais surgiu ainda no século XIX. Com a ascensão dos veículos de comunicação, vieram também profissionais que enfrentaram barreiras e se adaptaram às mudanças sociais e tecnológicas: os repórteres.

O MeioNews reuniu três personalidades que entendem bem como é ser repórter no Piauí, com carreiras consolidadas e pertencentes a diferentes gerações.

ÉTICA, CRIATIVIDADE E CONHECIMENTO

Jornalista Cinthia Lages - Foto: Arquivo Pessoal

 A jornalista Cinthia Lages acredita que ética, criatividade e conhecimento são pilares que constroem um bom repórter. Com décadas de história, Lages é a definição concreta de uma carreira consolidada e de um protagonismo feminino que impacta o cenário piauiense.

Para ela, o que faz um bom repórter se sobressair, mesmo com as mudanças tecnológicas, é buscar a própria marca pessoal: Hoje, a gente tem, até por conta da internet, uma busca por autenticidade. Então, os profissionais mais autênticos são aqueles que se destacam nessas novas ferramentas digitais. E isso, na verdade, sempre foi importante para os repórteres, para os jornalistas, disse.

 Ao ser questionada sobre qual cobertura marcou sua carreira, relembrou uma em especial, que a marcou quando realizou uma série de coberturas de Norte a Sul do Piauí pela TV Meio Norte mostrando que o estado é dotado de riquezas e cultura, indo além da escassez e pobreza.

“Foi também a primeira vez que se mostrou o Piauí de uma forma bela, de uma forma intensa, mostrando o povo, mostrando as belezas. Porque antes só se via o Piauí na seca e na enchente. A gente mostrou que é muito mais do que isso”, afirmou.

O TETE-A-TETE E O OLHAR HUMANO

Fazer jornalismo é tratar de gente que sente, pensa e constrói histórias. É aquele famoso tete-a-tete que você só consegue olhando nos olhos da fonte, checando o que é verdade e o que é mentira. É o que defende a jornalista Ana Ilza Medeiros, dona de uma carreira cheia de nuances, com passagens pelo rádio, pelo digital e pela TV.

Ana Ilza Medeiros - Foto: Arquivo Pessoal

“Ser repórter não é monótono, todo dia é diferente, é muito imprevisível. E eu digo isso porque todo dia você conhece histórias diferentes, tristes, felizes. Esse laço humano é muito importante para a gente fazer um jornalismo humanizado”, destacou a repórter.

Ana afirma que, para contar uma história, é preciso se conectar com realidades que diferem da sua, mas que, a partir do momento em que se inicia esse processo, é necessário se atentar para a responsabilidade.

“Eu tenho um livro, escrevi sobre povos indígenas na minha cidade, mas eu sou branca, sou de classe média trabalhadora e não sou indígena. Então, você se coloca num lugar de privilégio, em que não pode estar escrevendo a história da pessoa querendo narrar por eles; você está escrevendo com eles”, relatou.

“O BOM JORNALISMO AINDA EXISTE”

Com apenas quatro anos de trajetória, Saymon Lima desponta como um dos grandes nomes do jornalismo policial no Piauí, seja por sua agilidade, checagem ou dinamismo ao liderar a linha de frente de grandes coberturas investigativas.

Saymon Lima - Foto: Arquivo Pessoal 

Lima diz que o bom jornalismo ainda se mantém. Ele conta que grandes reportagens de impacto estão nos detalhes, na precisão e na checagem responsável das fontes.  É lidar com a tensão e a correria, com o telefone tocando na madrugada e com a necessidade de refazer a rota quando preciso.

O que é o bom jornalismo? É parar, ir até o local, analisar o que está acontecendo, observar todos os detalhes, ouvir atentamente o que a fonte está dizendo, o que o entrevistado está dizendo. Então, o bom jornalismo ainda existe, explicou.

Apesar de já estar no batente e na pressão do ao vivo, antes de entrar na televisão, Saymon passou pelo digital. Ele afirma que, com as tecnologias, o trabalho do repórter não mudou; o que mudou foi a forma de veicular a notícia. Agora, o desafio é prender a atenção do público em poucos segundos.

“No digital, você tem que ser um pouco mais direto. Não tem aquela facilidade de fazer uma boa produção, porque hoje em dia está todo mundo no Instagram. Você precisa conquistar o telespectador naqueles primeiros segundos. O modo de fazer não mudou, mas a forma de entregar mudou”, completou.

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