- Empresa de minimercados autônomos NoMerkado expande-se para 110 lojas em Teresina, sem investidores externos.
- Expansão da rede foi impulsionada pelo modelo de proximidade, que atende moradores de condomínios e outros espaços de concentração de pessoas.
- Desafios incluem gestão de equipes, furtos e custos operacionais, que exigiram estruturação de processos e treinamento interno.
- Modelo de negócio prioriza conforto e segurança, com foco no atendimento ao cliente e relacionamento com síndicos.
- Segmento de minimercados de proximidade cresce em Teresina, com novas unidades e empresas locais adotando o modelo.
A expansão dos minimercados autônomos ganhou espaço em condomínios residenciais nos últimos anos e abriu oportunidades para empresas que atuam com o modelo de proximidade. Em Teresina, a trajetória do NoMerkado acompanha esse movimento. Criada em 2021, durante a pandemia, a empresa chegou a 110 lojas em funcionamento e afirma ter se tornado a maior rede de lojas próprias do segmento no Nordeste.
Segundo a diretora da empresa, Débora Oliveira, a expansão ocorreu sem investidores externos. Os recursos para abertura de novas unidades foram gerados pelo próprio negócio, em um processo que, segundo ela, fez o ritmo de crescimento superar o planejamento inicial.
Expansão
A empresa começou as operações em um período em que os minimercados autônomos ganharam espaço como alternativa de compra dentro de condomínios. Com o passar dos anos, porém, a estratégia passou a depender menos do contexto específico da pandemia e mais da consolidação do serviço entre os moradores.
“Depois que passou a pandemia, só ficaram empresas que realmente se preocuparam com o atendimento, com o cliente, com o relacionamento”, afirmou Débora.
Atualmente, a rede conta com quase 60 colaboradores e uma estrutura de liderança responsável por áreas como financeiro, cobrança e logística. De acordo com a diretora, a formação da equipe foi um dos desafios da expansão, já que o segmento ainda é relativamente novo e não havia mão de obra com experiência específica em minimercados autônomos.
Modelo de negócio
Mais de 100 condomínios fazem parte da operação da empresa. A concentração nesse ambiente está relacionada ao próprio conceito dos minimercados de proximidade, que permite ao morador realizar pequenas compras sem precisar deixar o condomínio. Durante esses anos, a necessidade desse modelo de negócio se estendeu para outros locais de concentração de pessoas, como empresas e faculdade, reforçando a importância do conforto e praticidade dos clientes.
Para Débora, o conforto e segurança são os principais fatores que explicam o crescimento da procura pelo serviço. As pessoas buscam cada vez mais facilidade na sua rotina, ter um minimercado que possui desde itens básicos do dia a dia (como arroz, feijão, açúcar, sal, entre outros), até produtos que proporcionam momentos de lazer ou convivência familiar (sorvetes, bebidas, lanches diversos), traz a tranquilidade que o cliente precisa.
A executiva afirma que, ao longo dos cinco anos de operação, a empresa passou a tratar o atendimento aos moradores como parte central da estratégia. A relação também envolve os síndicos, que acompanham o funcionamento das unidades nos condomínios.
“Mesmo sendo uma loja autônoma, o que faz diferença nesse ramo realmente é focar no cliente, entender a necessidade dele, estar próximo dele”, disse.
Desafios
O crescimento acelerado também trouxe dificuldades para a operação. Segundo Débora, a velocidade de abertura de novas unidades chegou a superar as projeções feitas inicialmente pela empresa, aumentando a necessidade de investimentos, contratação e treinamento.
“Imagina aí: a programação que a gente tinha de crescer em um ano, a gente dobrou o crescimento, dobrou o investimento também”, afirmou.
Outro desafio esteve relacionado às perdas financeiras provocadas por furtos, produtos danificados e compras que não eram efetivamente pagas. A empresa precisou estruturar processos e equipes para acompanhar essas ocorrências e reduzir os impactos sobre o caixa.
A formação de profissionais para atuar no setor também exigiu treinamento interno. Segundo a diretora, desde os funcionários responsáveis pela reposição dos produtos até os cargos de coordenação foram desenvolvidos dentro da própria operação.
Mercado
Além do crescimento da própria empresa, Débora aponta a expansão do segmento em Teresina. Segundo ela, novos negócios voltados aos minimercados de proximidade estão chegando à capital, enquanto empresas locais também começam a explorar o modelo.
A executiva avalia que ainda há espaço para novas unidades na cidade, tanto em novos empreendimentos que vão surgir, quanto em condomínios existentes que ainda não contam com esse tipo de serviço.
O cenário mostra como um modelo que ganhou força durante a pandemia passou a integrar a rotina de parte dos consumidores e a disputar espaço no mercado de conveniência. Para empresas do setor, o desafio agora envolve sustentar a expansão sem perder controle sobre operação, atendimento e custos.