- Empresário preso e empresa LD Consórcio fechada em Teresina por suspeita de golpe de carta de crédito falsa.
- Delegado Sérgio Alencar afirma que pelo menos 40 pessoas foram enganadas com prejuízo de R$ 5 mil a R$ 100 mil.
- Empresa foi suspensa judicialmente, com proibição de qualquer atividade econômica e venda de produtos.
- Vítima relata que pagou R$ 18 mil sob promessa de contemplação, mas foi enganada e não recebeu resposta.
- Funcionários foram orientados a saírem do local, pois não havia mandados contra eles, mas todos sabiam da prática criminosa.
Um empresário foi preso, e a empresa LD Consórcio, localizada no Centro de Teresina, foi fechada na manhã desta quarta-feira (29), por suspeita de aplicar o golpe da falsa carta de crédito. Em entrevista à Rede Meio Norte, o delegado Sérgio Alencar informou que são, no mínimo, 40 pessoas enganadas, com um prejuízo individual variando de R$ 5 mil a R$ 100 mil.
O modus operandi
As investigações apontam que a empresa vendia e prometia aos clientes uma carta de crédito já contemplada. No entanto, no momento em que deveria ocorrer a contemplação, as vítimas descobriam que haviam sido enganadas e que tinham adquirido, na verdade, um consórcio comum.
O engodo estava exatamente nessa nessa conduta, de vender consórcios como se fossem cartas de crédito contempladas. É um golpe já conhecido da população, e que a polícia tem combatido de forma incisiva. Existem outras empresas, mas aqui no centro de Teresina, aqui tava faltando fechar, era essa e foi fechada no dia de hoje, disse.
Prejuízos e vítimas
Segundo o delegado, o titular da empresa já havia sido intimado e interrogado diversas vezes na delegacia. Ele foi conduzido para a unidade policial para ser interrogado e permanecerá à disposição da Justiça. Além disso, há um segundo alvo ligado à empresa com mandado de prisão em aberto.
“Eu acho que ele [o titular] já esperava, porque são inúmeras vítimas. Ele já foi intimado várias vezes à delegacia, foi feita sua oitiva em vários interrogatórios, então ele já sabia que a polícia estava investigando a sua prática. Eu acredito que ele acredita na impunidade. Porque você fazer um tanto de vítima dessa forma e não fugir. Então, ele tava esperando, ele tá confiando muito na impunidade”, pontuou o delegado.
O delegado Sérgio Alencar ainda relatou que, por determinação judicial, as atividades econômicas da empresa foram totalmente suspensas, proibindo qualquer tipo de venda, negociação ou transação financeira utilizando o CNPJ da empresa.
Os envolvidos responderão pelos crimes de estelionato e associação criminosa. A autoridade destacou que novas prisões podem ser decretadas. No momento da abordagem, os funcionários que trabalhavam no local foram orientados a se retirar, pois não havia mandados de prisão contra eles.
Eles praticavam estelionato na modalidade de associação criminosa, onde duas ou mais pessoas se reúnem para praticar crimes. Ou seja, todas essas pessoas que estavam aqui tinham conhecimento dessa prática. Então, essas pessoas, a justiça pode decretar novas prisões nos nas últimas horas, porque nenhuma pessoa que trabalhava aqui desconhecia essa conduta criminosa praticada, afirmou.
Consumidora denuncia suposta fraude de consórcio e diz ter perdido R$ 18 mil
Uma das vítimas da suposta fraude, identificada como Andressa de Sousa, contou, em entrevista à Rede Meio Norte, que realizou o pagamento de um lance no valor de R$ 18 mil sob a promessa de que seria contemplada. No entanto, logo após o pagamento, a empresa teria mudado a versão do acordo.
O valor da parcela foi um e aí no contrato já tá outro. Acontece que a gente entra em contato para saber se foi contemplado, eles ficam dizendo que vai ter o sorteio tal dia e não dão resposta. A gente fica mandando mensagem, ficam fazendo a gente de besta. A gente pergunta qualquer coisa e passa para o pós-venda, o pós-venda não resolve nada e fica só jogando de um para o outro. [...] A gente vai atrás de resolver isso aí, porque não tem condição. A pessoa tem um sonho, quer conquistar algo e quando chega essa safadeza aqui, que isso aqui é uma safadeza, pontuou.
Conforme o relato, desde o mês de junho ela tenta obter informações sobre a contemplação, mas sem sucesso. De acordo com ela, os representantes da empresa chegaram a desativar a confirmação de visualização de mensagens para que os clientes não soubessem se foram ignorados.
A gente tenta entrar em contato, eles não dão retorno. Não tão nem aí para a gente. Inclusive até mandei um áudio para a supervisora, disse: ‘Na hora de vender vocês são bons, mas na hora de dar um retorno, de prestar um pós-venda que preste para o cliente, de tirar dúvida que, que falta, o que que precisa, a história muda completamente, criticou .