- Vitor Gomes de Carvalho, acusado de matar o próprio pai, afirma ter mantido relação conturbada e o considerava inimigo.
- O crime ocorreu em 26 de janeiro, na casa do acusado, no bairro Santa Bárbara, em Teresina, com o pai morto a facadas.
- Vitor relatou que o pai o agrediu e, em reação, usou uma faca para se defender, resultando em morte da vítima.
- Após o crime, Vitor tomou banho, trocou de roupa e fugiu, sendo capturado posteriormente pela Polícia Rodoviária Federal.
- A Justiça negou a revogação da prisão preventiva de Vitor, considerando o crime grave e a necessidade de manutenção da ordem pública.
Durante a audiência de instrução e julgamento, Vitor Gomes de Carvalho, acusado de matar o próprio pai, afirmou que mantinha uma relação conturbada com a vítima e declarou que ela era, praticamente, seu "inimigo". A sessão foi realizada nesta sexta-feira (17), na 3ª Vara do Tribunal Popular do Júri de Teresina.
Sebastião da Cruz de Oliveira foi morto a facadas e teve o rosto desfigurado com uma pedra no dia 26 de janeiro deste ano, dentro de casa, no bairro Santa Bárbara, zona Leste de Teresina. O filho foi apontado pelas investigações como autor do crime. Durante o interrogatório, Vitor descreveu a relação que mantinha com o pai e detalhou a dinâmica do dia do ocorrido.
Era meu inimigo praticamente, não era meu pai não, era meu inimigo. Só que eu tava nessa casa lá, era por causa da internet que eu estudava, segurança pública. Estava no terceiro semestre, curso de bacharelado.
Vitor relatou que passou a morar com o pai após ter deixado a casa da mãe, por orientação da avó paterna.
Foi nem que ele me chamou, foi nem a avó que me mandou ir pra lá. Foi nem ele não, foi minha avó. [...] Na minha infância até me abusou, assistia vídeo de zoofília,tentou queimar minha as minhas costas. [...] Não falei não, ficava constrangido, disse.
Segundo o acusado, o pai fazia críticas constantes e teria proferido ofensas contra ele. “Ele falava que eu não valia nada, que eu valia a merda do gato, que ninguém ia me querer. Ele fica me jogando para baixo, sendo que eu era estudante de segurança pública, eu sempre estudei. Eu falava: ‘Não, pai, vou ser é policial’. Ele era zangado comigo, ele bateu minha cabeça na parede”, disse.
Vitor afirmou ainda estar arrependido pelo sofrimento causado aos irmãos. Segundo ele, no início das agressões, não tinha intenção de matar o próprio pai, mas acabou sendo tomado pelo sentimento de “ira”.
Conforme o relato do acusado, o desentendimento começou após o pai reclamar da limpeza da casa. Ele afirmou que Sebastião o empurrou e partiu para cima dele com um facão enferrujado. Diante da situação, Vitor disse que pegou uma faca que estava sobre a mesa para se defender.
Eu também peguei a faca, de um golpe perto dos peitos dele. Aí eu segurei ele assim, né? Aí eu perto do das costas, o facão caiu no chão. Aí já caiu o quase morto já, pela furada que ele levou da frente e nas costas. Isso é muito sangue, né? Aí quando ele caiu, quando ele caiu, ele pegou com a mão esquerda, facão, ele ficou assim.
Aí eu peguei a faca E quando na hora da fúria, né, da ira, eu peguei e dei três golpes na cara dele, dois nos olhos e no nariz, aí dois golpes no pescoço, aí que a faca quebrou. Eu peguei a pedra e joguei em cima, eu fui tomar um banho no banheiro todo que é de roupa.
No entanto, Vitor admitiu que, após o pai já estar caído, continuou desferindo golpes. “Porque eu fiquei com raiva, que eu me lembrei das coisas que ele fazia, mas até batia na minha mãe".
Segundo as investigações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime ocorreu após uma discussão entre pai e filho, motivada pela negativa de dinheiro para a compra de entorpecentes.
Ele confessa que furar os olhos foi intencionalmente. E após a faca quebrar, nesse momento que a faca quebra, que ele para de golpear com a faca, nesse momento, ele pega uma pedra pesada que estava na cozinha e joga essa pedra contra a cabeça do pai. Em seguida, ele ver a cabeça esmagada do pai e começa a vomitar. Em seguida, ele alega que vai ao banheiro, toma banho, pega a moto do pai e foge, afirmou o delegado Danúbio Dias, do DHPP.
SOBRE A FUGA
Após o crime, o acusado tomou banho, trocou de roupa e fugiu utilizando a motocicleta do pai. Durante a fuga, ele quase foi capturado por uma viatura da Polícia Militar, mas abandonou o veículo e se escondeu em uma área de mata.
Vitor relatou que retirou as roupas porque estavam rasgadas e molhadas pela chuva e que chegou a se cobrir de lama. Ele afirmou que se entregou no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Altos após o cerco policial.
Me senti ameaçado, viu? eles iam me matar a polícia. Eu fiquei dentro da dentro da mata escondido. ‘vou de noite eu vou entregar, vou entregar só de noite’. Não foi por causa da fome. Foi por causa que quando me entreguei lá, eles não tava deixando não.
AUDIÊNCIA
Ao final da audiência, a Justiça negou o pedido de revogação da prisão preventiva de Vitor Gomes de Carvalho. Foram ouvidas testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa, além do interrogatório do réu. Com o encerramento da fase de instrução, as partes terão prazo para apresentar as alegações finais antes da decisão sobre o andamento do processo.
O magistrado considerou “que se trata de um crime gravíssimo, em que a violência foi usada de forma evidente” e apontou a necessidade de manutenção da prisão para garantia da ordem pública.
Assim, indeferiu o pedido de relaxamento/revogação da prisão, sem prejuízo de uma nova análise, quando da prolação de uma das decisões que põe fim à primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri.