- Operação Conectados cumpre mandados em escritório de contabilidade em Teresina.
- Ação visa desarticular grupo suspeito de fraudar licitações e lavar dinheiro.
- Mandados foram expedidos pela Vara Única da Subseção Judiciária de Floriano (PI).
- Investigação aponta irregularidades em contratos firmados por empresa com municípios do Piauí.
O escritório de contabilidade "Escrita Contabilidade Pública", localizado no bairro Jóquei, na zona Leste de Teresina, foi alvo da segunda fase da Operação Conectados na manhã desta terça-feira (2). A ação, deflagrada pelo Ministério Público Federal (MPF), pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal (PF), cumpriu 12 mandados de busca e apreensão na capital e em Oeiras.
A operação visa desarticular um grupo criminoso suspeito de fraudar licitações, praticar corrupção, lavar dinheiro e ocultar os verdadeiros beneficiários de contratos firmados com municípios piauienses. Conforme a MPF, eles superfaturavam com contratos com foco especial em verbas vinculadas ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e ao Sistema Único de Saúde (SUS).
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Única da Subseção Judiciária de Floriano (PI). Em nota, a Polícia Federal informou que a investigação teve início após informações técnicas da CGU apontarem irregularidades em contratos firmados por uma empresa de informática com municípios do Piauí, utilizando recursos federais destinados às áreas da saúde e da educação.
As investigações apontam que o grupo utilizava contratos com prefeituras para obter informações privilegiadas e favorecer empresas ligadas ao esquema. A PF informou que nesta fase da operação, o objetivo é aprofundar as apurações sobre a atuação dos investigados e a movimentação dos recursos.
Além disso, o MPF explicou queo foco também é interromper o esquema que se perpetuou após a primeira fase. Durante as diligências, foram apreendidos:
- Aparelhos eletrônico;
- Documentos;
- Registros financeiros;
- Valores em espécie sem origem lícita comprovada.
LOCAL JÁ FOI ALVO DA 1° FASE DA OPERAÇÃO
O local tem ligação com um empresário já investigado na capital piauiense, e já foi alvo da primeira fase Operação Conectados, deflagrada em 2024. À época, mais de R$ 1 milhão em espécie foi apreendido durante o cumprimento de mandados no escritório.
A polícia informou que a análise do material apreendido indicou que as irregularidades iam além dos contratos inicialmente apurados e revelou indícios de atuação de um grupo criminoso estruturado.
Os investigados poderão responder pelos seguintes crimes:
- Associação criminosa;
- Fraude em licitação;
- Corrupção ativa;
- Corrupção passiva;
- Lavagem de dinheiro;
- Outros delitos eventualmente identificados no decorrer das investigações.
INVESTIGAÇÕES
Segundo o MPF, uma das empresas investigadas firmou contratos que somam mais de R$ 7,3 milhões com prefeituras piauienses em pouco mais de dois anos.
Também foi identificado que somente em um pregão eletrônico, houve uma revisão indevida de preços que gerou prejuízo potencial de R$ 1.777.776,30 aos cofres públicos. O grupo chegou a firmar contratos com sobrepreço de até 211,6%.
Segundo as investigações, o grupo utilizava assessorias contábeis e jurídicas para influenciar prefeituras e obter informações privilegiadas sobre licitações antes da publicação dos editais, favorecendo empresas ligadas ao esquema, que teria atuado em diversos municípios do Piauí e também no Maranhão.
Após receber os pagamentos, o grupo realizava saques fracionados constantes (geralmente de R$9.000,00 e R$ 3.000,00) para burlar os alertas do COAF, distribuindo o lucro e pagando propinas a agentes públicos predominantemente em espécie.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Em razão da repercussão da operação da Polícia Federal deflagrada nesta data em Teresina, a defesa do Sr. Alan Brandão vem a público prestar os devidos esclarecimentos.
O Sr. Alan Brandão não figurou entre os alvos da operação noticiada nesta terça feira, nem consta do rol de investigados a ela vinculado, sendo desprovida de fundamento qualquer associação de seu nome aos atos hoje praticados.
Cumpre esclarecer que a operação divulgada nesta data constitui um desdobramento de procedimentos instaurados e tem por finalidade a realização de diligências voltadas à verificação e ao esclarecimento de fatos sob investigação pelas autoridades competentes.
Registra-se, ademais, que por força de decisão do Superior Tribunal de Justiça, a investigação anterior, realizada em 2024, encontra-se suspensa no que diz respeito ao Sr. Alan Brandão, de modo que está sendo apurada a regularidade da inclusão de seu nome nos fatos sob apuração.
A defesa confia, por fim, na responsabilidade dos veículos de comunicação, certa de que dispensarão ao tema o tratamento criterioso que a presunção de inocência e a dignidade de seu constituinte exigem.