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“Escuridão está dentro de mim”: suspeito de matar idoso publicava conteúdos de teor perturbador

Autor, que postava vídeos sobre transtornos e já esfaqueou o pai, teve prisão revogada e é contestado por delegado.

Ivan Novack do Nascimento. | Foto: Reprodução
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“Ele é uma ótima pessoa, odeia a injustiça, teve uma educação incrível”, diz a narração de um dos vídeos publicados por Ivan Novack do Nascimento nas redes sociais, em dezembro de 2025. Na penúltima e na antepenúltima publicações, ele informa que estava internado em uma unidade psiquiátrica no bairro Dirceu II, zona Sudeste de Teresina.

Ele confessou ter matado o idoso José Pereira da Silva, de 81 anos, além de cortar a língua da vítima e mastigá-la, no dia 8 de fevereiro deste ano. Em seu perfil, Ivan compartilhava vídeos nos quais falava sobre questões relacionadas a transtornos mentais, como bipolaridade. Em sua biografia, está escrito “A escuridão está dentro de mim” e diz que ele é “excomungado”.

Algumas das publicações feitas por Ivan./Foto: Reprodução

Embora abordasse seus transtornos de forma aberta, parte do conteúdo publicado por ele tinha teor extremamente sensível sobre suas vivências. Em um vídeo de 6 de dezembro do ano passado, a narração diz que ele estava internado e afirma já ter sido detido três vezes: em 2019, 2021 e junho de 2025. 

A narração do vídeo tenta reforçar que ele se trata de uma pessoa boa, mas que teria sido “dominado pelo ódio”.

“Mas ele é uma ótima pessoa, odeia a injustiça, teve uma educação incrível, já era para tá formado. Ele está em um hospício lá no Dirceu 2. Poxa, um cara que hoje era para tá tirando raio X com jaleco de doutor, hoje vive de miséria que ele mesmo plantou sem maldade. Eita Ivan, deixa de ser tão bondoso. Jesus te ama, cara. Relaxa, bebe e vai ouvir música sozinho. É a melhor coisa que tu faz. O cara morava em três apartamentos no orgulho do Piauí, mas foi ser bonzinho demais e se ferrou”, diz a narração.

VÍDEO publicado em 6 de dezembro de 2025

CASO DE 2025

Em 27 de junho de 2025, ele foi preso suspeito de esfaquear o próprio pai no residencial Eduardo Costa, também na zona Sul. Em entrevista à Rede Meio Norte, o delegado Danúbio Dias, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, esclareceu que, na época, ele foi posto em liberdade após audiência de custódia.

“Foi preso e na audiência de custódia ele foi posto em liberdade. Menos de 24 horas depois. A defesa não alegou a insanidade dele, apesar da defesa ter juntado um atestado médico que diz que ele possui esquizofrenia. Mas ele foi solto naquela oportunidade não pela doença e sim porque o poder judiciário entendeu que não era o caso de prisão preventiva, não era o caso dele permanecer preso”, disse a autoridade.

ESQUIZOFRENIA E O QUE DIZ O DHPP

Sobre a alegação de esquizofrenia, o delegado esclareceu que se trata de um laudo feito há cinco anos. Ele reforçou que, durante o depoimento, Ivan conseguiu seguir uma linha de raciocínio clara e lógica, sendo extremamente frio. Um novo laudo será feito para comprovar o transtorno.

“Eu não sou né, um especialista em doença mental, mas o fato é que o interrogatório foi longo, ele foi ele deu um depoimento construindo uma linha temporal lógica. Eu já tive experiência de interrogar outras pessoas com diagnóstico de esquizofrenia e essas outras pessoas que eu interroguei não tinham comportamento,  a clareza e o raciocínio que ele tem. É por esse motivo que eu não vou alegar um incidente de insanidade mental, porque ao ao não entender o departamento de homicídio, ele tem plena clareza do que fez”, disse o delegado.

DEPOIMENTO 

Em vídeo obtido pela Rede Meio Norte, o suspeito detalhou como matou José Pereira da Silva. Segundo ele, a vítima ainda tentou pegar um caco de vidro, momento em que ele imobilizou o idoso e passou a agredi-lo com socos e chutes.

Comecei a agredir, ainda perguntei: é isso mesmo que tu quer? E aí comecei a agredir, com murro, cotovelada e comecei a pisar na cara dele. […] Depois, com o caco de vidro eu arranquei a língua dele e comi a língua dele. Mastiguei a língua dele e cuspi.

Rapaz, depois que ele tava meio consciente e inconsciente, ao mesmo tempo no chão, eu fui lá e arranquei a língua dele e comecei a chutar várias vezes na cara dele.

O delegado Danúbio Dias informou que o suspeito alegou ter sido abordado pela vítima momentos antes, e que ela teria anunciado um assalto. Ele teria reagido e perseguido José por cerca de 500 metros até alcançá-lo no beco. A versão ainda será analisada pela perícia.

Depois da versão apresentada por ele, eu fui revisar as fotos do inquérito e de fato a vítima possui dilacerações expostas. Afundamento do crânio, que é compatível com a versão apresentada por ele de que ele apenas golpeou o crânio da vítima com socos e chutes. Com relação a essa alegação dele, o médico legista precisa confirmar, mas ele foi muito lúcido e claro ao afirmar que cortou a língua da vítima e tentou engolir.

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