- Incêndio na Embrapa em Teresina consumiu 61,8 hectares, sendo o maior da história da unidade.
- Chamas atingiram áreas experimentais, pomares e uma reserva ambiental desde segunda-feira.
- Material genético preservado em bancos de germoplasma foi afetado pelo fogo.
- Animais silvestres foram encontrados mortos, mas animais da Embrapa não sofreram danos.
- Reunião será realizada para discutir prevenção de novos incêndios na região.
O incêndio que atingiu a área da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Teresina, consumiu cerca de 61,8 hectares até quinta-feira (8), segundo levantamento da instituição. Considerado o maior já registrado na história da unidade, o fogo começou na noite de segunda-feira (5) e voltou a apresentar focos nos dias seguintes, atingindo áreas experimentais, pomares e uma reserva ambiental.
A Embrapa Meio-Norte desenvolve pesquisas voltadas principalmente à agricultura e à pecuária adaptadas às condições do Meio-Norte brasileiro. A instituição ainda avalia os possíveis impactos das chamas sobre experimentos científicos e materiais genéticos preservados na unidade.
Incêndio começou em pomar de cajueiros
De acordo com a Embrapa, o primeiro foco foi registrado por volta das 20h de segunda-feira (5), atingindo aproximadamente oito hectares de um pomar de cajueiros. As chamas foram controladas por volta da 1h de terça-feira (6).
Apesar dos danos à vegetação, os experimentos científicos mantidos na unidade não foram afetados nesse primeiro episódio.
Na terça-feira (6), novos focos foram identificados em dois pontos próximos ao muro que separa a Embrapa das residências vizinhas. O fogo avançou sobre uma área de produção de frutas nativas que abriga experimentos de melhoramento genético de espécies como bacuri, cajá e xixá.
Chamas atingiram áreas de pesquisa
O incêndio também alcançou o Banco Ativo de Germoplasma de Babaçu, que reúne material genético preservado há mais de 30 anos, e um pomar de mangueiras utilizado em pesquisas de melhoramento genético há mais de duas décadas.
A Embrapa informou que ainda analisa os possíveis impactos sobre esses materiais e experimentos. O fogo voltou a ser parcialmente controlado durante a noite de terça-feira.
Focos reapareceram em reserva ambiental
No fim da manhã de quarta-feira (7), as chamas voltaram a surgir e foram controladas no início da noite. Ainda naquela noite, um novo foco foi identificado em uma área de reserva florestal.
Também houve registros de incêndio nas proximidades dos currais. Segundo a Embrapa, os bovinos mantidos na unidade não foram atingidos.
Na manhã de quinta-feira (8), uma equipe do Corpo de Bombeiros esteve no local e utilizou um drone para verificar a existência de novos focos. Naquele momento, nenhum foi identificado. Durante a tarde, porém, outro incêndio foi registrado na reserva ambiental e combatido pela brigada da própria instituição.
Animais silvestres foram encontrados mortos
Segundo a Embrapa Meio-Norte, não houve mortes entre os animais criados pela instituição. No entanto, animais silvestres foram encontrados mortos após os incêndios, incluindo pacas, tatus e iguanas.
Reunião deve discutir prevenção de novos incêndios
A Embrapa articula uma reunião com a associação de moradores da região, as secretarias municipais de Educação e Meio Ambiente, o Corpo de Bombeiros e o Ministério Público. A proposta é discutir ações de educação ambiental e medidas para prevenir novos incêndios nas áreas próximas à unidade.