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Justiça bloqueia mais de R$ 1 milhão e diz que empresa de sorteios mudava de nome para despistar

Investigação revela empresa que mudava de nome. Mais de R$ 1 milhão são bloqueados e R$ 600 mil foram achados em mala.

Dinheiro apreendido durante a operação/ Delegado Marco Antônio, da Polícia Federal. | Foto: PF/ Saymon Lima/MeioNews
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A empresa que foi alvo da Operação Aleatorius, deflagrada neste domingo (8), mudava de nome constantemente na tentativa de despistar as autoridades. Em entrevista ao MeioNews, o delegado Marco Antônio, da Polícia Federal, detalhou as investigações e informou que mais de R$ 1 milhão foram bloqueados nas contas.

É uma forma de burlar a fiscalização, o Ministério da Fazenda, eles tentam de todas as formas alterar o quadro societário, alterar o nome, passa de um nome, depois pra outro, depois pra outro e aí fica naquela. [...] São as mesmas pessoas, muda um ou outro, pra tentar desmistificar, tentar desvirtuar a atividade criminosa.

A empresa, que comercializava títulos de capitalização, teve as atividades suspensas após a PF identificar um esquema de sorteios irregulares com prêmios em dinheiro. Segundo o delegado, a autorização permitia apenas premiações de pequeno valor, como uma moto, mas a empresa teria ultrapassado os limites estabelecidos.

O que ela estava fazendo eram grandes sorteios de valores elevados, de prêmios elevados. Constatou-se que não havia declarações de valores, constatou-se lavagem de capitais por parte dos sócios. A gente, deflagrou essa operação, e aí foi apreendido 850 mil reais, foram apreendidos veículos, documentos, celulares, mídias, e confirmam o que a gente já suspeitava.

Delegado Marco Antônio./Foto: Saymon Lima/Meionews

O delegado explicou que as cartelas devem conter um selo emitido por órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, o que indica que a promoção comercial possui autorização legal. Quando uma empresa utiliza esse selo sem a devida permissão, a prática é considerada indevida.

A última empresa, no verso da cartela tinha uma autorização emanada num processo que ocorria no Pernambuco e aí confirmamos que não existia nenhuma autorização nesse processo, e que se quer havia sido julgado. Isso intensificou as investigações a partir daquele momento.

A polícia aponta que o esquema pode ter levado consumidores a acreditar que as atividades eram legais. Também há suspeitas de movimentação de altos valores fora do sistema bancário, com possível fracionamento de quantias e pagamento de prêmios em dinheiro vivo.

Foram constatados que eles não davam o prêmio em que eles davam o valor referente e eh por vezes eles parcelavam a aplicação.

Um dos locais onde ocorreu a operação./Foto: PF

INVESTIGADOS

Inicialmente, sete pessoas, entre sócios e investidores, a maioria de fora de Teresina, são investigadas, segundo o delegado. A respeito da lavagem de dinheiro, ele explicou que as investigações identificaram indícios de ocultação de valores.

“Na casa de um dos gestores foi encontrado R$ 600 mil em cima de uma mala em cima de um armário.[...] Como a própria empresa não declarava os valores, os sócios não declaravam os valores e esse gestor não declarava os valores”, disse.

ONDE?

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Teresina (PI), Juazeiro do Norte (CE), Garanhuns (PE) e Caruaru (PE). As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Piauí.

Segundo a PF, os fatos podem estar relacionados a crimes como:

  • Lavagem de dinheiro
  • Falsidade ideológica
  • Falsificação de selo ou sinal público
  • Crimes contra a ordem tributária

Outros crimes podem ser identificados no decorrer das investigações.

Dinheiro apreendido em mala./foto: PF

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