O médico Matheus Sousa fugiu da Central de Flagrantes de Teresina após denunciar que estava internado de forma involuntária em uma clínica de reabilitação. Segundo informações confirmadas pela equipe do MeioNews, ele deixou o local ao saber que poderia ser reconduzido à unidade após a chegada dos pais.
De acordo com a defesa, o médico passou cerca de 40 dias internado e já vinha relatando que estava sendo mantido contra a própria vontade, sem autorização judicial. Ele afirma que estava lúcido durante todo o período e que teve seus direitos restringidos dentro da clínica.
A fuga teria ocorrido no momento em que os pais chegaram à delegacia com um documento que, segundo relato, determinaria a continuidade da internação compulsória por até 60 dias. Diante da possibilidade de retorno à clínica, Matheus deixou o local.
Denúncias de internação irregular
Segundo a advogada Juliana Irineu, o médico conseguiu contato com o exterior no último sábado (18) e pediu ajuda. Ainda conforme a advogada, a internação teria sido motivada por conflitos familiares após o médico assumir sua orientação sexual. A família teria alegado uso de drogas como justificativa para o encaminhamento à clínica.
“Ele é uma pessoa lúcida, capaz, inclusive assinou procuração e realizou pagamentos normalmente. Não há justificativa para mantê-lo internado dessa forma”, afirmou.
Relatos dentro da clínica
Antes de deixar o local, o médico já havia enviado mensagens a amigos pedindo ajuda. Nos relatos, ele afirma que foi levado à força durante a madrugada, após ser surpreendido por homens dentro de casa. Segundo ele, houve agressões físicas e atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Matheus também descreveu condições precárias dentro da clínica, como falta de higiene, pacientes dormindo no chão e situações que classificou como degradantes. Ele ainda relatou episódios de homofobia e afirmou que, ao denunciar, era orientado a “segurar a barra”.
De acordo com a defesa, ele também relatou uso frequente de medicação para manter pacientes sedados.
Defesa questiona legalidade
A advogada sustenta que a internação não seguiu os trâmites legais, já que, segundo ela, não houve comunicação aos órgãos competentes, como o Ministério Público. O médico também deseja romper vínculos com a família e retomar o exercício da profissão. A defesa afirma ainda que houve ameaças por parte de familiares após o caso ganhar repercussão.
Nota da clínica
Em nota, a clínica afirmou que a internação involuntária segue legislação específica e protocolos rigorosos, incluindo o respeito ao sigilo médico e à privacidade dos pacientes.
A instituição também declarou que a presença da advogada, acompanhada de policiais e imprensa, causou tumulto no local e comprometeu o ambiente de atendimento. Segundo a clínica, informações sobre pacientes devem ser tratadas por meios legais adequados.
Por fim, a unidade informou que poderá adotar medidas judiciais diante do que classificou como exposição indevida e reafirmou compromisso com a legalidade.
Caso segue em apuração
As circunstâncias da internação e da fuga devem ser apuradas pelas autoridades. O caso envolve questionamentos sobre a legalidade da medida e denúncias de possíveis irregularidades dentro da unidade de reabilitação.