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Mercado Central de Teresina: entre memórias, comércio e tradição - “É uma honra trabalhar nesse mercado”

Entre redes, palhas, bolsas e calçados, comerciantes que dedicaram décadas ao local testemunham as transformações de um dos espaços mais tradicionais da capital piauiense - “É uma honra trabalhar nesse mercado”

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“É uma honra trabalhar nesse mercado”

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Para alguns comerciantes, a relação com o mercado começou há poucas décadas. Para outros, praticamente toda a vida adulta foi construída entre suas paredes.

É o caso de José Simplício da Silva. São 66 anos trabalhando no local. Uma trajetória que começou quando o mercado e a própria região ainda tinham outra configuração.

José Simplício da Silva- Foto: Rauena Pinheiro/ Meio News 

Antes de ter uma loja, José vendia na rua. A estrutura era simples e as condições, diferentes das atuais.

“Eu comecei a vender na rua aí, a gente não tinha calçamento, não tinha nada, eu vendia a banquinha no meio da rua.”

A pequena banca foi crescendo junto com sua trajetória profissional. Vieram os anos, os produtos e a mudança para dentro do mercado.

“Fui vendendo, fui passando, passando... Pois é, foi disso aí, eu comecei daí no meio da rua, eu vim pra cá. Eu vim pra cá.”

Hoje, em sua loja, a variedade é grande. Calçados, bolsas, cintos, malas, chuteiras e outros produtos fazem parte do comércio mantido por ele. Mas, quando fala sobre o Mercado Central, José não começa pelas vendas. Fala de pertencimento.

Loja de José no Mercado Central- Foto: Rauena Pinheiro- Meio News

“Pra mim é uma honra. É uma honra trabalhar nesse mercado, graças a Deus. O trabalho é uma honra minha.”

Foram seis décadas e meia retirando dali o sustento da família. O mercado, para ele, é parte daquilo que conseguiu construir.

“Foi daqui que tiro o sustento da família, tem tudo que eu tenho, tudo que eu tenho, eu fui tirar daqui.”

Um mercado que mudou

As lembranças dos comerciantes mais antigos também revelam uma mudança no cenário comercial. O que antes era sinônimo de movimento intenso hoje convive com corredores menos movimentados e dificuldades que atingem diretamente quem depende das vendas.

José percebe essa transformação diariamente.

“O comércio nos baixos cresceu, o mercado aqui caiu, não tem mais comércio como era.”

Na avaliação dele, a diferença entre o passado e o presente é grande. A falta de segurança é outra preocupação apontada pelo comerciante.

Ainda assim, mesmo diante das dificuldades, José continua indo ao trabalho. A permanência parece ser uma extensão natural de uma vida inteira dedicada ao comércio.

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