Do tempo da feira à banca própria
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Antes das bancas, das lojas e da estrutura que hoje compõe o Mercado do Dirceu I, havia uma feira. Foi naquele cenário, ainda improvisado, que uma artesã começou a construir sua trajetória no comércio da região.
Trabalhando com artesanato, tiaras, acessórios para cabelo e outros produtos, ela lembra que começou a vender quando o mercado ainda nem existia como é conhecido atualmente.
Dona Luzinete- Foto: Rauena Pinheiro/ Meio News
“Quando eu comecei a trabalhar aqui, aqui nem mercado não tinha. Era só outro lugar. Era lá na feira. Tinha uma feirinha”, recorda.
A trajetória, no entanto, não começou com uma banca própria. Primeiro veio o bazar em frente à igreja. Depois, a oportunidade de ocupar um pequeno espaço dentro do mercado, cedido por uma colega.
No início, ela tinha receio de não conseguir colocar seus produtos. Mas a oportunidade abriu caminho para uma relação que mudaria sua trajetória profissional. A antiga dona da banca passou a contar com ela no trabalho e, durante anos, as duas dividiram a rotina de vendas.
Com o tempo, a comerciante passou a trabalhar por conta própria, mas continuou enfrentando uma dificuldade comum a quem tenta se estabelecer no comércio: conseguir uma banca fixa.
Foram anos trabalhando em diferentes espaços e dentro da loja de outras comerciantes. Uma dessas mulheres, que também marcou sua trajetória, acabou falecendo e deixou uma história de amizade e trabalho compartilhado.
Mercadorias vendidas por ela- Foto: Rauena Pinheiro/ Meio News
A oportunidade de finalmente ter uma banca própria surgiu de uma forma inesperada.
A antiga proprietária do espaço havia falecido e a família se reuniu para decidir o destino da banca. Quando perguntaram como poderiam transferir o ponto para outra pessoa, a resposta veio acompanhada de uma decisão que ela não esperava.
A família decidiu que ela poderia permanecer no local.
“Não vamos vender mais. Você merece”, foi o que ouviu, segundo seu relato.
Depois de tantos anos trabalhando para outras pessoas, ela finalmente tinha um espaço para chamar de seu.
A permissionária falou sobre a sua história no local- Rauena Pinheiro/ Meio News
Mais de duas décadas acompanhando as mudanças
São aproximadamente duas décadas trabalhando no espaço atual. Tempo suficiente para testemunhar mudanças não apenas na estrutura física, mas também no movimento de clientes.
Segundo ela, uma das principais dificuldades enfrentadas atualmente pelos comerciantes é justamente a redução das vendas.
“As vendas estão mais difíceis. A gente sabe que, com o passar do tempo, tem coisas que melhoram e tem coisas que pioram também”, afirma.
A diferença é especialmente percebida durante a semana. Aos domingos, quando consegue expor os produtos em uma área externa, ela diz que o movimento costuma melhorar.
E, enquanto organiza os produtos e espera pelos próximos clientes, ela segue fazendo do artesanato uma forma de sustento e, sobretudo, uma maneira de continuar presente no lugar que acompanhou boa parte de sua história.
“Graças a Deus, até hoje eu estou aqui.”