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Mosca-branca ameaça cajueiros no Piauí; saiba como identificar e controlar a praga

A mosca-branca do cajueiro está causando prejuízos aos produtores do Piauí. Saiba como identificar e controlar a praga antes que ela se intensifique

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  • Produtores do Piauí enfrentam ameaça da mosca-branca, que se multiplica em condições de calor e estiagem.
  • Inseto sugador, de cor branca, causa danos às folhas e libera secreção que favorece fungos e reduz produtividade.
  • Controle deve iniciar cedo com tecnologia da Embrapa, que tem eficácia de 92,7% contra ovos e ninfas.
  • Infestações elevadas são observadas em Santo Antônio de Lisboa e Francisco Santos, com risco de propagação.
  • Uso de agrotóxicos exige cuidado por conta da presença de residências e apicultura na região.
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A presença da mosca-branca do cajueiro tem preocupado produtores no Piauí, especialmente em municípios com forte presença da agricultura familiar. Em entrevista ao podcast Painel Agro, o engenheiro agrônomo e gerente de Defesa Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi), Oel Valério, explicou que o inseto pode se multiplicar rapidamente quando encontra condições favoráveis, como calor intenso, baixa umidade e estiagem prolongada.

Apesar do nome, a mosca-branca não é propriamente uma mosca. Trata-se de um pequeno inseto sugador, com cerca de dois milímetros, de coloração branca a levemente amarelada, que costuma se concentrar na parte inferior das folhas do cajueiro. O produtor pode encontrar no mesmo local ovos, ninfas e insetos adultos. Segundo Valério, cada fêmea pode colocar até 300 ovos, contribuindo para o rápido crescimento da infestação.

Como identificar a mosca-branca

Um dos primeiros sinais que devem chamar a atenção do produtor é o aparecimento de uma espécie de espiral branca com pequenos pontos na folha, característica da postura dos ovos. A recomendação é iniciar o controle ainda nessa fase. Quando a infestação avança, colônias podem ocupar praticamente toda a parte inferior das folhas.

Além de sugar continuamente a planta, o inseto libera uma secreção açucarada conhecida como “mela”. Inicialmente, as folhas podem apresentar aspecto brilhante. Com a evolução do problema, essa substância favorece o desenvolvimento da fumagina, fungo que forma uma camada escura sobre as folhas e prejudica a fotossíntese. Associado ao estresse hídrico, o ataque pode comprometer a floração, reduzir o tamanho e a qualidade dos frutos, provocar abortamento e, nos casos mais graves, contribuir para a morte dos cajueiros.

Controle deve começar cedo

Entre as alternativas apresentadas durante a entrevista está uma tecnologia da Embrapa à base de óleo vegetal, detergente e água. De acordo com Valério, o tratamento apresenta eficiência comprovada de 92,7% sobre ovos e ninfas. O especialista reforça, porém, que a intervenção deve ocorrer logo nos primeiros sinais da praga, antes que a população aumente.

O controle isolado de uma propriedade também pode não ser suficiente. Como os insetos possuem asas e podem ser transportados pelo vento, áreas vizinhas infestadas facilitam uma nova contaminação. Por isso, os órgãos envolvidos trabalham com uma estratégia de controle por blocos de propriedades, buscando reduzir simultaneamente a população do inseto em áreas próximas.

A Adapi realiza levantamentos fitossanitários para identificar a extensão e o grau das infestações, em parceria com a Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada) e prefeituras. Conforme relatado no programa, Santo Antônio de Lisboa e Francisco Santos apresentam infestação elevada, enquanto o problema começa a avançar em Monsenhor Hipólito. A preocupação também envolve outras áreas produtoras, como Pio IX.

O uso de agrotóxicos exige atenção especial, principalmente porque há residências dentro ou próximas aos pomares e a região também possui forte atividade apícola. Aplicações inadequadas podem representar riscos às pessoas e às abelhas, além de deixar resíduos no mel e comprometer sua comercialização. A orientação é que o produtor acompanhe constantemente o pomar e busque assistência técnica para definir o manejo adequado.

Segundo Valério, o objetivo das medidas adotadas agora não é recuperar o que já foi perdido nesta safra, mas reduzir a infestação, evitar a morte de mais cajueiros e impedir que a próxima produção comece com uma população elevada da praga. O monitoramento frequente pelo próprio produtor é considerado uma das principais ferramentas para detectar precocemente a mosca-branca e evitar que o problema alcance níveis mais graves.



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