- Sandra Costa recebeu diagnóstico de atrofia cerebral da filha bebê e anos depois de autismo.
- Ela descobriu a gravidez com apenas 21 anos e teve que sustentar responsabilidade de cuidados especiais desde o início.
- Mães atípicas no Brasil somam cerca de 10 milhões, incluindo 2,4 milhões de mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
- 70% a 80% dessas mulheres cuidam dos filhos sozinhas, enfrentando preconceito e abandono.
“Foi um balde de água fria, como eu era muito nova, não soube como lidar”, assim se sentiu a dona de casa Sandra Costa ao receber o diagnóstico de atrofia cerebral da filha ainda bebê e, anos depois, o de autismo.
Em entrevista à Rede Meio Norte, Sandra contou os desafios diários que enfrenta enquanto mãe atípica. Ela descobriu a gravidez de sua filha Maria com apenas 21 anos.
Ainda muito jovem, a dona de casa teve que sustentar a responsabilidade de dar afeto e cuidados especiais desde o início da vida da filha.
Sandra relata que demorou um tempo para perceber que a filha não se desenvolvia da mesma forma que as demais crianças e teve que ser alertada pela ex-cunhada, já que, para ela, tudo ia bem:
A Maria foi muito desejada pela família do pai e pela minha família. Com oito meses, uma ex-cunhada começou a perceber que ela não se desenvolvia, foi quando veio o primeiro diagnóstico da Maria: ela havia nascido com atrofia cerebral.
Para ela, o diagnóstico mais complexo e difícil de entender foi quando Maria foi diagnosticada com autismo:
Até que, aos seis anos, veio o autismo e aí foi o mais difícil. Porque, com a atrofia cerebral, a médica dizia que ela só não iria fazer tudo rápido, mas que teria uma vida normal. Mas, quando o autismo veio, foi um balde de água fria, afirmou Sandra.
OS DESAFIOS DE UMA MÃE ATÍPICA
Mesmo assustada com os desafios que viriam diante dos diagnósticos, Sandra permaneceu firme e decidiu cuidar da filha com o amor e zelo que só uma mãe é capaz de oferecer.
Para ela, ao longo dos anos, as batalhas foram vencidas com um passo de cada vez. A dona de casa conta que um dos momentos mais desafiadores foi quando Maria teve a primeira menstruação.
Era difícil aceitar que, apesar de todas as condições da filha, a jovem ainda é uma mulher como qualquer outra.
Ela é uma criança no corpo de uma mulher e é até mais difícil. Me lembro da primeira vez que ela menstruou, eu me desesperei. Mas a doutora me disse que os problemas eram na cabeça, mas no corpo estava tudo normal. Para mim, foi difícil entender que ela teria que passar por isso, porque, para mim, ela era uma criança”, contou Sandra.
MÃES ATÍPICAS
O Brasil tem cerca de 10 milhões de mães que se dedicam aos cuidados de crianças com algum tipo de condição especial.
Apenas o grupo de mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) soma 2,4 milhões de mulheres.
Desse grupo, cerca de 70% a 80% cuidam dos filhos sozinhas, já que muitos pais abandonam a paternidade devido aos desafios.
Por isso, essas mulheres lidam com preconceito, abandono e, acima de tudo, com o esquecimento de si próprias ao terem que se dedicar por completo aos filhos.