- Operação deflagrada na manhã desta terça-feira (30) com 68 ordens judiciais simultâneas em Piauí, Ceará e Rio de Janeiro.
- Justiça determinou bloqueio de mais de R$ 50 milhões em bens da organização criminosa envolvida no tráfico e extorsões.
- Investigações identificaram célula no Piauí ligada à cúpula da Rocinha, no Rio, e integrantes atuantes no Ceará.
- Presos em Pedro II incluem líderes locais e executor da organização, que comandava tráfico de drogas no município.
- Operação atingiu núcleo financeiro da organização, bloqueando recursos que financiavam tráfico e outros crimes.
Foi deflagrada na manhã desta terça-feira (30) a 8ª fase de uma operação contra uma organização criminosa com o objetivo de cumprir 68 ordens judiciais de forma simultânea no Piauí, Ceará e Rio de Janeiro. Além disso, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens e valores dos investigados, totalizando mais de R$ 50 milhões em bloqueios patrimoniais.
As diligências tiveram como foco o núcleo financeiro da organização criminosa, responsável pela lavagem de dinheiro e pela ocultação dos recursos provenientes do tráfico de drogas e de extorsões.
INVESTIGAÇÕES
Conforme a Secretaria de Segurança Pública (SSP), as investigações, iniciadas em 2024, identificaram uma célula do grupo criminoso no município piauiense, ligada à cúpula instalada na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, além de integrantes com atuação no Ceará.
Durante as diligências, a polícia mapeou a estrutura hierárquica da organização. No topo da cadeia de comando está o líder da organização, responsável por coordenar as ações a partir do Rio de Janeiro, conhecido pelos vulgos "Carioca" e "Canindé". Apenas as iniciais do investigado foram divulgadas: J.R.S.R.
QUEM SÃO PRESOS EM PEDRO II?
Em Pedro II, entre os presos estão lideranças locais e o executor da organização. Eles permanecem custodiados no sistema penitenciário piauiense:
- A.I.N.S.: exercia a chefia local e era responsável pelo comando do tráfico de drogas no município;
- D.U.N., conhecido como "Tapioca": apontado como uma das principais lideranças;
- A.G.G.S., vulgo "Negão", oriundo do Ceará: atuava como executor da organização.
MAIS DE 10 HOMICÍDIOS E “TRIBUNAIS DO CRIME”
Nas etapas anteriores da operação, a polícia esclareceu 13 homicídios ligados à organização criminosa e efetuou mais de 42 prisões. Entre os casos investigados, destacam-se dois "tribunais do crime": o assassinato de Giovanna Maria de Oliveira, de 14 anos, e a execução de Danilo Soares, que teve o corpo ocultado em uma cova rasa na zona rural de Pedro II.
Em depoimento, o executor do grupo confessou seis homicídios qualificados e uma tentativa de assassinato. Ele afirmou que recebia pagamento em drogas, aluguel e mantimentos. Já entre os presos nesta etapa está um investigado apontado como um dos principais responsáveis por prestar apoio logístico à fuga da Penitenciária Federal de Mossoró, em 2024.
Essa é uma investigação construída com muito trabalho de inteligência e integração entre as forças de segurança. Nesta fase, atingimos diretamente o núcleo financeiro da organização criminosa, bloqueando recursos que alimentavam o tráfico de drogas e outros delitos. Nosso objetivo é sufocar a capacidade financeira da organização, responsabilizar todos os envolvidos e impedir que o dinheiro do crime continue sendo utilizado para fortalecer essa estrutura criminosa, pontuou o delegado Charles Pessoa, do DRACO-PI.
As investigações seguem em andamento.
AÇÃO INTEGRADA
A operação foi coordenada pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), em conjunto com a Delegacia Seccional de Pedro II, e contou com o apoio da Superintendência de Operações Integradas (SOI), da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), do CANIL da FEISP, da Diretoria de Inteligência da SSP e Polícia Civil, das Delegacias Seccionais de Campo Maior, Castelo do Piauí, Piripiri, Luís Correia e Piracuruca, da Diretoria de Polícia do Interior e da Polícia Militar, por meio do BEPI e do BOPAER.