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Piauí deve ter agravamento da seca e calor acima da média até novembro; entenda

Informe climático da SEMARH indica calor de até 2 °C acima da média, ar seco e chuvas apenas no extremo sul e sudoeste, e ainda assim irregulares

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  • O Piauí enfrenta agravamento da seca em setembro-novembro, com temperaturas acima da média e baixa umidade do ar.
  • Chuvas insuficientes e irregularidades no trimestre dificultam a recuperação hídrica em grande parte do estado.
  • El Niño fortalece-se e pode intensificar o déficit hídrico, mantendo o clima quente e seco em setembro e outubro.
  • Áreas como sudeste e centro-norte têm maior risco de seca, enquanto o sul e sudoeste podem ter chuvas limitadas em novembro.
  • Monitoramento e ações preventivas são necessários para mitigar impactos da seca em regiões mais vulneráveis.
Informe da SEMARH aponta agravamento gradual da seca no Piauí até novembro, com calor acima da média, ar seco e chuvas só no extremo sul | Foto: Reprodução
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O Piauí entra no trimestre setembro–outubro–novembro em uma fase de elevada atenção climática. É o que mostra o Informe Climático do Piauí – Previsão Sazonal, Seca e El Niño, divulgado nesta segunda-feira (21) pela Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos (SAMPECE), da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH-PI).

A tendência para o período é de agravamento gradual da seca, com temperaturas acima da média, baixa umidade do ar e nenhuma perspectiva de recuperação ampla das chuvas.

trimestre em situação melhor, mas desigual

A boa notícia é que o Piauí chega a setembro em condição menos crítica do que no início do ano. A quadra chuvosa de 2026 foi mais favorável que a de 2025: os maiores acumulados ocorreram no norte, no centro-norte e em partes do sudoeste. Em maio, as categorias de seca grave, extrema e excepcional deixaram de ser observadas no estado, segundo o Monitor de Secas.

A recuperação, porém, foi desigual. O sudeste e parte do semiárido tiveram distribuição de chuva menos favorável. Algumas áreas ainda guardam os efeitos positivos do período chuvoso, enquanto outras já mostram sinais de esgotamento da umidade do solo e menor disponibilidade de água.

A partir de maio, a chuva diminuiu de forma progressiva. Em junho, o padrão seco se consolidou. Julho teve registros acima da média em alguns pontos, o que retardou o avanço da seca em parte do território. Agosto marcou a entrada clara no padrão seco: os mapas mostram predomínio de baixos acumulados e desvios negativos em grande parte do estado.

Segundo o informe, esses desvios foram pequenos em números absolutos porque agosto já é um mês de pouca chuva, mas o impacto é relevante. O mês faz parte do núcleo da estação seca e praticamente não contribui para repor a água no solo e nos reservatórios.

(Foto: Jéssica Machado/MeioNews)

O que esperar de setembro a novembro?

MêsO que o informe indica
SetembroPredomínio de dias secos, pouca nebulosidade, forte insolação, temperaturas elevadas e umidade do ar em níveis críticos à tarde
OutubroContinuidade do cenário, entre os meses mais secos e quentes do ano no estado
NovembroInício climatológico da transição para o período chuvoso apenas no extremo sul e em parte do sudoeste, com chuvas irregulares e insuficientes para reverter o quadro

A previsão sazonal indica maior probabilidade de chuva entre a categoria normal e abaixo da média no extremo sul e em parte do sudoeste, região onde o período chuvoso costuma começar em novembro. No restante do estado, especialmente no centro-norte, norte e sudeste, o trimestre continua fora da estação chuvosa.

Mesmo que haja chuva dentro da normalidade em pontos isolados, o informe avalia que os volumes tendem a ter baixa capacidade de recompor a água em escala estadual.

Calor acima da média em todo o estado

Os modelos indicam temperaturas acima da média histórica em todo o Piauí, com anomalias positivas entre 0,5 °C e 2,0 °C. O aquecimento reforça o déficit hídrico, porque aumenta a evaporação da água e a perda de umidade pelas plantas.

O calor de agosto já dava o tom. O informe registra máximas médias acima de 36 °C em grande parte do estado, com destaque para:

MunicípioTemperatura máxima média em agosto
Oeiras40,3 °C
Castelo do Piauí40,1 °C
Campo Maior39,1 °C
Teresina39,1 °C
Arraial38,9 °C
Paes Landim38,7 °C
São Raimundo37,8 °C

Segundo o documento, esse forte aquecimento durante o dia tende a se intensificar ou persistir em setembro e outubro.

Onde a atenção deve ser maior?

O informe aponta áreas que exigem acompanhamento mais próximo:

  • Norte do estado: avanço recente da seca fraca.
  • Sudeste e divisa com Bahia e Pernambuco: agravamento localizado em agosto, com áreas que passaram de seca moderada para seca grave.
  • Centro-norte: previsão de déficit hídrico no trimestre.
  • Municípios com seca moderada, com menor recuperação na quadra chuvosa ou com maior dependência de água armazenada localmente.

Vale ressaltar que o documento não indica, neste momento, condição generalizada de seca extrema ou excepcional em todo o Piauí.

Riscos previstos

Com a combinação de chuva irregular, calor e ar seco, o informe destaca:

  • Aumento das condições favoráveis à propagação do fogo em áreas suscetíveis;
  • Redução progressiva da umidade do ar, do solo e da vegetação;
  • Maior pressão sobre pequenos reservatórios;
  • Ampliação da demanda por água para consumo humano, animal e atividades produtivas.

El Niño forte: o que é fato e o que não é

Outro ponto do informe é o El Niño. De acordo com a NOAA/CPC, agência climática dos Estados Unidos, o fenômeno se fortaleceu nas últimas semanas. As probabilidades oficiais indicam 100% de chance de El Niño no trimestre, com 97% de probabilidade de que seja de intensidade muito forte, e a continuidade é prevista até o fim de 2026 e o início de 2027.

DataNiño 3.4Niño 3Niño 1+2
10/06/20260,7 °C0,9 °C2,1 °C
08/07/20261,2 °C1,6 °C2,7 °C
29/07/20261,5 °C2,1 °C3,2 °C
12/08/20261,8 °C2,5 °C3,2 °C
09/09/20262,0 °C2,8 °C3,7 °C

Anomalias de temperatura da superfície do mar em regiões do Pacífico Equatorial. Fonte: NOAA/CPC.

Para o Piauí, o informe pede uma leitura técnica e cautelosa:

  • O El Niño não é a causa da estação seca. Setembro e outubro já são secos em praticamente todo o estado.
  • Ele pode reforçar condições de aquecimento, maior estabilidade da atmosfera e intensificação do déficit hídrico.
  • O Atlântico Tropical, que também influencia o clima da região, estava próximo da neutralidade em agosto. Por isso, o aquecimento do Pacífico é o fator mais evidente para o trimestre.
  • O principal risco não é só menos chuva, mas a manutenção de temperaturas elevadas e baixa umidade do ar.


Novembro não deve ser lido como alívio

O informe faz um alerta: as chuvas iniciais que podem ocorrer no extremo sul e em parte do sudoeste em novembro não devem ser interpretadas como normalização do clima no estado. Elas podem atenuar o quadro em pontos específicos, mas a previsão não indica recuperação hídrica suficiente para reverter a seca de forma ampla.

Monitoramento e prevenção

A nota técnica afirma ainda que os indicadores climáticos e hidrológicos justificam o monitoramento contínuo e a adoção de medidas preventivas, como as que o governo já vem realizando, com prioridade para as áreas com seca moderada, os setores com agravamento localizado e as regiões mais sensíveis à redução da disponibilidade de água.

Homem segura garrafa de água (Foto: Agência Brasil)

Atenção no dia a dia

  • Redobre a hidratação nas horas mais quentes e evite atividades físicas intensas ao sol entre 10h e 16h.
  • Evite queimadas e descarte correto de bitucas de cigarro e vidros em áreas de mato.
  • Use a água armazenada com cuidado, principalmente em áreas rurais e com reservatórios pequenos.
  • Acompanhe os boletins da Defesa Civil e da SEMARH.
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