- O Piauí está entre quatro estados que integram mitigação e adaptação climática em planos conjuntos, segundo o Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026.
- O estado elabora Plano Específico de Adaptação e possui planos de contingência para eventos climáticos extremos, como enchentes e inundações.
- O El Niño, previsto para 2026, pode reduzir as chuvas no Piauí, aumentando a seca e impactando a agricultura e a disponibilidade hídrica.
- O Piauí implementa ações como monitoramento climático, capacitações e campanhas de sensibilização para enfrentar os riscos do El Niño.
- O El Niño causa variações climáticas no Brasil, com secas no Nordeste e aumento de chuvas no Sul, afetando diferentes regiões do país.
O Piauí está entre os quatro estados do Brasil que possuem Planos de Ação Climática que integram, de forma conjunta, os temas de mitigação e adaptação a eventos climáticos, conforme o Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026, do Instituto Clima e Sociedade e do Centro Brasil no Clima (CBC).
Os outros três estados são Minas Gerais, Paraná e Pernambuco. Os temas gestão e planejamento em relação aos eventos climáticos foram um dos principais tópicos discutidos durante o workshop “Crise Climática no Brasil: um raio-x da adaptação e da transição climática, agropecuária, energia e indústria”, realizado pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em parceria com o Encontro Mundial de Jornalistas (E-Mundi).
Ao MeioNews, Carmynie Xavier, especialista em Política Climática Subnacional e Legislativo do iCS, destacou que o estado do Piauí tornou-se um destaque devido ao seu comprometimento ativo com as agendas de adaptação e mitigação frente aos eventos climáticos.
Trazendo a população e levando, na verdade, muitas das suas prioridades em termos das questões de emissões, da agropecuária, de sustentabilidade e também de energia. Ou seja, teve muito engajamento da sociedade para mostrar justamente o que seria de interessante para as agendas de adaptação, de mitigação e em relação à própria organicidade da governança climática, destacou.
No âmbito específico da adaptação, o estado segue avançando e atualmente elabora seu Plano Específico de Adaptação, assim como Pernambuco, Ceará e Tocantins, segundo o Anuário.
Em relação à gestão de risco, o Piauí já dispõe de planos de contingência estabelecidos, voltados ao enfrentamento de eventos climáticos extremos, como estiagens, enchentes e inundações.
O Piauí, por exemplo, avançou na institucionalização de suas políticas ao promulgar o Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil (PEPDEC) por meio do Decreto nº 23.715/2025 (Governo do Piauí/SEDEC, 2025), cita o documento.
A necessidade de ações relacionadas ao clima se torna ainda mais importante, especialmente durante o período do El Niño, que está previsto para ocorrer em 2026. Em entrevista a reportagem, Eduardo Delgado Assad, cientista e pesquisador de Agrometeorologia, Mudanças Climáticas, Riscos na Agricultura e Sensoriamento Remoto, destacou que o estado será afetado pela redução das chuvas.
Os impactos que a gente espera no Piauí do El Niño é exatamente redução da chuva, mais seca. Todo a região nordeste semiárida pode ser afetada pela redução de chuva. Isso vai acontecer no norte da Amazônia e em todo o Nordeste. Então a gente tem que tomar muito cuidado com isso, disse.
O especialista destacou que uma das ações necessárias é intensificar o uso de sistemas integrados para melhorar a capacidade de armazenamento de água diretamente no solo. Além da seca, outro fator crítico que deve afetar a agricultura no estado são as fortes ondas de calor previstas, de acordo com Eduardo Assad.
AÇÕES
Conforme o professor Werton Costa, diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, as ações desenvolvidas pelo órgão durante a vigência do El Niño são:
- 1. Monitoramento climático sistemático a partir do Centro de Gerenciamento de Riscos da Defesa Civil (CEGRID);
- 2. Emissão de notas técnicas para secretarias de Estado, Gabinete de Crise e emissão de alertas por celular para cidadãos piauienses e Defesas Civis Municipais;
- 3. Capacitações preventivas pela Escola de Defesa Civil para Defesas Civis Municipais e treinamentos, junto à SESAPI, para coordenadores da Atenção Primária no interior sobre ondas de calor;
- 4. Campanhas de sensibilização sobre queimadas e incêndios florestais, já em andamento, além de ações como palestras e blitz do B-R-O-Bro de conscientização sobre os riscos do calor;
- 5. Implementação do Plano de Contingência Estadual para o período seco;
- 6. Atuação conjunta com outros órgãos estaduais na Operação Água e Vida (SEPLAN) e na Operação Piauí Sem Queimadas (SEMARH).
AFINAL, O QUE É O EL NIÑO?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e está associado a eventos extremos, como secas e enchentes. No Brasil, seus efeitos variam de acordo com a região.
O Sul do país tende a registrar aumento das chuvas e maior risco de inundações, enquanto o Norte e parte do Nordeste tendem a enfrentar redução das precipitações e maior possibilidade de estiagem.
SECA ≠ ESTIAGEM
As secas são períodos prolongados de baixa precipitação, resultando em escassez de água e afetando tanto o consumo humano quanto as atividades agrícolas, conforme o Ministério da Saúde. Já as estiagens se caracterizam por serem menos intensas e ocorrerem em períodos mais curtos.