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Piauiense se forma em engenharia vendendo gás: “pagou minha faculdade”

Conheça a emocionante história de Hélio Neto, engenheiro que se formou carregando um botijão de gás. Ele superou desafios e dificuldades financeiras para conquistar o diploma.

Hélio Neto durante formatura | Foto: Arquivo pessoal
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O engenheiro civil Hélio Neto, natural de Brasileira (PI), ganhou destaque ao entrar na cerimônia de formatura carregando um botijão de gás, gesto que simbolizou a trajetória de trabalho até a conclusão do curso superior. Em entrevista concedida ao portal MeioNews, ele relatou os desafios enfrentados ao longo da graduação e o significado do ato que marcou a solenidade.

Trabalhando por conta própria, Hélio contou que conseguiu conciliar a rotina profissional com os estudos por meio de disciplina e organização. A jornada começava por volta das seis da manhã e seguia até as quatro da tarde. Após encerrar o expediente, ele retornava para casa, se alimentava e seguia para a faculdade, em Piripiri, utilizando transporte coletivo. Segundo ele, faltar às aulas nunca foi uma opção, salvo em casos de saúde ou extremo cansaço.

Eu tive essa oportunidade de, todo dia, acordar muito cedo, seis horas da manhã e trabalhar até às quatro horas da tarde. E de segunda a sexta, depois das quatro horas, eu encerrava meu expediente, vinha para casa, jantava para já economizar lá em Piripiri, na faculdade. Aí jantava, já saía cinco horas para pegar o ônibus 520, e aí eu ia caminhando, assistia a minha aula.

Sem tempo para longas horas de estudo fora da sala, Hélio afirmou que aproveitava ao máximo as aulas presenciais. De acordo com o engenheiro, a interação com os professores foi fundamental para o aprendizado, já que fazia perguntas, tirava dúvidas e buscava compreender o conteúdo no momento da explicação. Ele destacou ainda a postura dos docentes, que sempre demonstraram paciência e disposição para reforçar os ensinamentos.

ENTRAR COM BOTIJÃO NA SOLENIDADE

A decisão de entrar na formatura com um botijão de gás foi tomada no próprio dia da diplomação. Segundo Hélio, o objeto representa a principal fonte de renda que possibilitou o pagamento da faculdade. A ideia foi compartilhada com familiares, que apoiaram o gesto, especialmente a mãe e um tio, apontado por ele como figura essencial em sua trajetória.

A decisão de entrar com o gás foi no dia da diplomação de manhã, passou muitas coisas na minha cabeça, eu fiquei imaginando, pensando e eu decidi, eu vou entrar com o gás que foi através do gás que eu consegui chegar hoje na diplomação. Aí eu falei para os meus familiares, minha mãe me deu o maior apoio, falei para o meu tio que foi tudo na minha vida e que me ajudou, incentivou, teve comigo desde o início.

De acordo com o engenheiro, a renda veio de diferentes atividades, como reciclagem, trabalho com ferro-velho, fretes, venda de sucata e outros serviços informais. “Foi uma homenagem ao que pagou minha faculdade, com muita luta, esforço e sacrifício”, relatou ao MeioNews. O gesto simples acabou ganhando grande repercussão e emocionou quem acompanhou a cerimônia.

Durante a entrevista, Hélio revelou que pensou em desistir várias vezes ao longo do curso, sobretudo diante do cansaço físico, das dificuldades financeiras e da rotina intensa. Ainda assim, manteve o foco no objetivo de concluir a graduação e mudar a própria realidade. A fé e o desejo de oferecer melhores condições de vida à família foram apontados como fatores decisivos para não abandonar o curso.

Os momentos mais difíceis, segundo ele, ocorreram no período chuvoso, quando precisava se deslocar para a faculdade sem veículo próprio, muitas vezes de moto, enfrentando chuva e frio. As semanas de provas também exigiam maior esforço, já que precisava se afastar temporariamente do trabalho, priorizando os estudos, mesmo com prejuízos financeiros.

Foto: Arquivo pessoal

Na reta final do curso, Hélio chegou a cursar dez disciplinas simultaneamente para conseguir concluir a graduação junto com a turma. Ao final, o sentimento, segundo ele, é de gratidão. 

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