Moradores da comunidade quilombola Brejão dos Aipins, situada na zona rural de Redenção do Gurguéia, denunciam que estão enfrentando isolamento e dificuldades para chegar à cidade após as chuvas registradas nos últimos dias na região sul do estado.
Registros obtidos pelo MeioNews mostram moradores tentando atravessar uma passagem molhada tomada pela água, onde o nível chega à altura da cintura de adultos. Mesmo com o risco, muitos precisam enfrentar o trecho alagado para conseguir comprar alimentos, medicamentos e outros itens essenciais.
ESTRUTURA NÃO RESISTIU
Segundo relatos da própria comunidade, a ponte que garantia o acesso entre o quilombo e a sede do município acabou cedendo após o aumento do volume de água provocado pelas chuvas.
Moradores afirmam que a estrutura era de madeira e teria sido montada de forma improvisada, com tábuas antigas e já comprometidas por cupins. Eles também relatam que solicitações de manutenção teriam sido feitas à prefeitura anteriormente, mas o problema não foi resolvido antes do colapso.
Com a queda da ponte, o deslocamento ficou restrito a um trecho alagado, considerado perigoso pelos próprios moradores.
IMPACTO NAS AULAS
A situação também trouxe prejuízos para estudantes da comunidade que frequentam a Escola Rural Filomena Nunes.
O ano letivo teve início no dia 23 de fevereiro, mas, desde então, grande parte dos alunos não conseguiu comparecer à escola devido à dificuldade de acesso. Apenas crianças que moram nas proximidades da unidade conseguiram frequentar as aulas nos primeiros dias.
Embora professores e funcionários estivessem na escola, a ausência da maioria dos estudantes comprometeu as atividades. Diante da situação, a prefeitura publicou decreto determinando a suspensão das aulas na quinta-feira (05) e sexta-feira (06).
PERIGO NA TRAVESSIA
Os moradores relatam ainda que o trajeto improvisado tem colocado a população em risco. Em um dos episódios, uma idosa quase se afogou ao tentar cruzar a área inundada, situação que, segundo a comunidade, já se prolonga há cerca de oito dias.
Outro registro mostra uma criança utilizando uma prancha adaptada como se fosse um pequeno barco para conseguir atravessar o local alagado.
Diante das dificuldades, os moradores cobram uma intervenção urgente das autoridades municipais para restabelecer o acesso seguro entre a comunidade quilombola e a cidade.