Quase cinco meses após a Operação Carbono Oculto 86, que investigou o uso de postos de combustíveis para lavagem de dinheiro do PCC no Piauí, o Ministério Público do Estado (MPPI) denunciou 12 pessoas acusadas de integrar o esquema de fraudes ligado às redes HD e Diamante, com atuação no estado e também em outras regiões do país. O MeioNews teve acesso aos nomes de 10 delas. São elas:
- Haran Santhiago Girão Sampaio (apontado como dono da Rede HD)
- Danillo Coelho de Sousa (apontado como dono da Rede HD)
- Thamyres Leite Moura Sampaio (esposa do empresário Haran)
- Thayres Leite Moura Coelho (companheira de Danillo)
- Moisés Eduardo Soares Pereira
- Salatiel Soido de Araújo
- Denis Alexandre Jotesso Villani
- Andressa Castro Alves de Oliveira
- João Revoredo Mendes Cabral Filho
- Victor Linhares de Paiva (ex-vereador)
De acordo com o Ministério Público, os investigados são acusados de praticar crimes como adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Essa operação foi deflagrada no Piauí em novembro de 2025, e é decorrência de uma investigação do GAECO de São Paulo intitulada também Carbono Oculto. A investigação apontou que o grupo integra o braço financeiro e operacional da organização criminosa com atuação no estado de São Paulo, disse Lenara Porto, Coordenadora do MPPI.
CARBONO OCULTO 86
A Operação Carbono Oculto 86 foi deflagrada em 5 de novembro de 2025. O ponto de partida da investigação foi a venda da Rede de Postos HD, em dezembro de 2023. A negociação chamou atenção porque a empresa compradora, a Pima Energia, foi criada poucos dias antes.
As apurações também apontam o uso de “laranjas”, mistura de patrimônios e emissão de notas fiscais sem a circulação real de combustíveis. 49 postos foram fechaodos no Piauí, sendo 16 em Teresina. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo usava essas estruturas para lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e ocultar patrimônio.
À época da operação, foram apreendidos um Porsche avaliado em R$ 550 mil e um avião modelo Cessna Aircraft 210M, pertencente ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio.
O MP obteve a decisão que determinou a manutenção da interdição dos postos bem como o bloqueio dos ativos dos denunciados como o objetivo de conter as atividades ilícitas. Na denuncia também pleiteamos a condenação dos envolvidos por dano moral coletivo no valor de R$ 74.200,000 mil, disse Nayana da Paz, promotora de Justiça.
Essas fraudes foram constatadas pelo IMEPI, pelo PROCON do Ministério Público, e essas fraudes podem ser subidividas em dois grupos: as fraudes de natureza qualitativa e quantitativa. Constatou-se rompimentos dos lacres e manipulação do sistema de medição, acrescentou Hérson Galvão, promotor de Justiça.
A Justiça do Piauí deve receber a denúncia e transformar os acusados em réus. Eles não chegaram a ser presos. Segundo a polícia, o esquema movimentou mais de R$ 52 bilhões.