Morto no dia 3 de janeiro deste ano, o empresário do ramo do ouro Edivan Francisco de Moraes foi alvo de um crime premeditado, segundo as investigações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele foi encontrado morto em uma residência no bairro Jacinta Andrade, na zona Norte de Teresina, com marcas de disparos de arma de fogo na cabeça.
Edivan mantinha contatos frequentes para negociações presenciais, prática comum nesse tipo de comércio. No entanto, a investigação aponta que a vítima também tinha envolvimento com a criminalidade e já possuía passagens pela Polícia.
PRINCIPAIS ENVOLVIDOS E MOTIVAÇÃO
As diligências revelaram que a motivação do crime foi patrimonial, pois visava subtrair o ouro e outros bens de valor de Edivan. O DHPP identificou os suspeitos e suas participações no assassinato. Veja:
- Geovane R. S., conhecido como “GG”: teria atraído a vítima com a falsa proposta de compra de ouro, manteve contato constante com Edivan e participou diretamente da execução do crime. Também teria alugado a residência usada pelo grupo. Ele está preso.
- Adão de Sousa Rodrigues Júnior, conhecido como “Neurótico”, e E. S. C., conhecido como “Raimundinho”: integraram o núcleo operacional, sendo apontados como participantes diretos da execução do crime. Ambos não foram localizados.
- Venicius das Neves Silva: apoio logístico, teria atuado como motorista, conduzindo o carro usado pelo grupo e aguardando do lado de fora da casa durante o crime. O veículo foi usado antes e depois da morte. Foi preso na manhã desta sexta-feira (23) e preferiu não responder às perguntas sobre a participação no crime.
- L. B. N., conhecido como “Rei do Ouro”: suspeito de monitorar a rotina da vítima a partir de Parnaíba, contribuindo para o planejamento e a premeditação do crime.
- J. S. S., vulgo “Do Mal”: apontado como integrante da estrutura operacional do grupo criminoso, com participação relevante no caso. Ele está preso.
ORDEM CRONOLÓGICA
- No início de janeiro de 2026, a vítima passou a receber contatos insistentes de Geovane sobre uma suposta negociação de 98 gramas de ouro, avaliadas em cerca de R$ 40 mil.
- Edivan chegou a seguir para a cidade de Lagoa Alegre, mas, com a insistência de GG, decidiu retornar a Teresina.
- Mensagens e ligações indicam que a negociação foi usada como isca para atrair o comerciante ao local onde o crime seria executado.
- No dia do crime, GG seguiu se comunicando com a vítima, acompanhando seu deslocamento e monitorando a movimentação em tempo real.
- Ao chegar ao local acreditando que concluiria a venda, Edivan foi surpreendido e executado.
- Após o homicídio, os criminosos levaram joias de ouro da vítima e retiraram um equipamento de armazenamento de imagens, tentando eliminar provas.
- O grupo fugiu utilizando o veículo da própria vítima, fato que contribuiu para o avanço das investigações.
- O corpo de Edivan foi encontrado no dia seguinte pela filha da vítima.
ANDAMENTO DAS INVESTIGAÇÕES
Conforme as forças de segurança, o Sistema de Videomonitoramento por Inteligência Artificial (SPIA) foi essencial para rastrear o trajeto do automóvel e reconstruir a rota de fuga, além de auxiliar na identificação dos envolvidos.
“O uso das câmeras do SPIA foi fundamental para o esclarecimento do caso. A partir da análise das imagens, conseguimos identificar o deslocamento do veículo subtraído, mapear as rotas utilizadas na fuga e conectar os investigados à dinâmica do crime.”, destacou o superintendente de Operações Integradas da SSP, delegado Matheus Zanatta.
A Polícia Civil identificou ainda que o mesmo grupo criminoso é suspeito de envolvimento em uma série de roubos a residências no município de Altos, além de apresentar indícios de ligação com outros crimes patrimoniais graves.
OPERAÇÃO
Na ação desta sexta-feira (23), a Polícia cumpriu 16 mandados de busca e apreensão e seis de prisão em Teresina, Altos e Timon (MA). A residência usada pelo grupo após o crime também foi alvo de buscas, onde um homem identificado como Francisco Marlon foi preso por tráfico de drogas. A arma suspeita de ter sido usada no crime foi apreendida.
Uma mulher identificada como Mikaelly Ravena, apontada como companheira de um dos investigados, foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos.
“Desde as primeiras horas, nossas equipes trabalharam para reconstruir a dinâmica do crime e identificar a atuação de cada um. Foi uma ocorrência grave, com indícios de planejamento e interesse patrimonial. O DHPP não mede esforços para dar uma resposta firme à sociedade, garantindo que os envolvidos sejam localizados, responsabilizados e que casos como esse não fiquem impunes”, pontuou o delegado.
Mandado de prisão cumprido durante a operação - Foto: Divulgação/SSP