Ao terminar sua reflexão, Katerina escreveu sobre aquilo que talvez seja mais difícil de explicar em uma viagem: a maneira como alguns lugares conseguem permanecer dentro da gente mesmo depois que voltamos para casa.
“Talvez existam lugares que visitamos, conhecemos e depois deixamos para trás. Mas existem outros que permanecem dentro da gente — nas lembranças, nos sentimentos, nas pessoas e até nos sabores”, escreveu.
O relato da russa acaba funcionando também como um retrato involuntário de uma característica que os próprios piauienses reconhecem em sua terra: a capacidade de transformar o cotidiano em memória.
Não foi apenas a arquitetura de Oeiras que chamou sua atenção. Nem somente a comida, o calor, as paisagens ou a história. Foram as pessoas que deram significado a tudo isso. Foi a casa onde ela entrou, a mesa onde se sentou, a cidade que conheceu e os gestos que recebeu.
“Pode parecer um lugar simples e humilde para quem olha de fora, mas por trás dessa simplicidade existe um calor enorme: pessoas boas, corações abertos, hospitalidade e esperança em dias melhores”, refletiu.
E talvez seja justamente aí que esteja a beleza dessa história. Uma jovem que veio de tão longe chegou para conhecer o lugar onde Gabriel nasceu e acabou levando consigo uma lembrança que não cabe em um cartão-postal.
“O Piauí se tornou um desses lugares para mim. Um lugar que deixei para trás, mas que para sempre terá um pedacinho do meu coração.”