As forças de segurança do Piauí seguem consolidando o balanço de uma das maiores operações recentes contra o tráfico de drogas no estado. Em diligências ininterruptas realizadas em um sítio localizado entre os municípios de Caxias e Timon, no Maranhão, as equipes conseguiram mapear toda a dinâmica de um esquema interestadual de transporte de entorpecentes.
De acordo com o delegado Samuel Silveira, do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), a investigação teve duração de cerca de seis meses e permitiu identificar a forma de atuação da organização criminosa, que utilizava rotas entre o Maranhão e Teresina para abastecimento da capital piauiense.
Drogas saíam do Maranhão para Teresina
Segundo o delegado, a droga era armazenada no Maranhão antes de ser distribuída no Piauí, com o uso de motoristas de aplicativo no transporte entre os estados.
“A droga era distribuída em Teresina a partir de uma residência na zona Sudeste, mas vinha do estado do Maranhão, onde era armazenada. Diariamente, pessoas que atuavam como motoristas de aplicativo realizavam esse transporte”, explicou.
Na mesma operação, as equipes apreenderam quase uma tonelada de entorpecentes, além de armas de fogo e materiais ligados à estrutura financeira da facção investigada. A operação foi deflagrada na última terça-feira (8), com cumprimento de mandados nos dois estados.
Entorpecentes enterrados
No imóvel investigado, os agentes encontraram uma estrutura que, segundo a polícia, revelava a dimensão do esquema criminoso. Foram identificados tonéis enterrados contendo drogas, além de uma área de cultivo de maconha.
“Do sítio foi encontrada uma roça de maconha já cultivada, então eles faziam o trabalho completo: cultivavam, colhiam esse entorpecente, preparavam e faziam a revenda final”, afirmou Samuel Silveira.
As diligências seguem em andamento e, segundo a polícia, novas apreensões continuam sendo realizadas ao longo dos dias.
Outros presos
Durante o fim de semana, mais um suspeito foi preso. Ele, segundo o Denarc, atuava diretamente na vigilância da área e no monitoramento da movimentação policial.
“Esse último indivíduo preso estava diretamente ligado à facção Bonde dos 40. Ele atuava na missão de monitorar a movimentação das forças de segurança e repassar informações sobre a continuidade das buscas”, disse o delegado.
O homem, conforme a investigação, permanecia escondido em área de mata observando o trabalho das equipes. A prisão, segundo a polícia, também permitiu a coleta de novos elementos probatórios, incluindo registros financeiros.
“Com essa prisão, conseguimos ainda mais indícios de prova. Foram apreendidos cadernos com toda a movimentação financeira e registros da distribuição de drogas”, acrescentou.
Estrutura criminosa
A investigação também detalhou o papel de outros envolvidos no esquema. Lucas Berg foi apontado como responsável pela logística de envio da droga entre Caxias e Teresina.
“Lucas Berg era o agente protagonista do esquema, responsável pelo envio da droga de Caxias para Teresina e pela distribuição na capital”, explicou Samuel Silveira.
Outros dois presos, identificados como José Ailton e Thiago, também tinham funções estratégicas dentro da organização, segundo a polícia.
“Esses dois tinham amplo conhecimento dos pontos onde a droga era enterrada e atuavam como uma espécie de braço armado do grupo”, disse o delegado.
Delegado Samuel Silveira, do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) | Foto: Saymon Lima
continuidade das investigações
Com base no material já apreendido, a polícia estima que o total de drogas retiradas de circulação se aproxime de uma tonelada, podendo ultrapassar esse número conforme o avanço das buscas.
“Já chegamos a um patamar aproximado de uma tonelada de entorpecentes, estimativa que pode até ser superior”, afirmou o delegado.
Para o Denarc, o resultado representa um impacto direto na estrutura financeira da facção investigada.
“Foi um grande baque no braço financeiro da facção Bonde dos Quarenta, porque eles não vão conseguir mais se reestruturar com esse baque financeiro”, disse.
A operação, segundo as forças de segurança, ainda não está concluída e novas fases devem ocorrer a partir da análise do material apreendido e do aprofundamento das investigações.