- Fabrício Santos da Silva, suspeito de feminicídio, teve prisão em flagrante convertida em preventiva em audiência de custódia.
- Crime ocorreu na manhã de 2 de novembro em Teresina, onde Eliane da Silva foi atingida por disparo de arma de fogo.
- Decisão considerou histórico de violência doméstica, ameaças e medidas protetivas concedidas nove dias antes do crime.
- Fabrício confessou ter matado Eliane e seu ex-companheiro, fugindo para José de Freitas após o crime.
- Testemunha relatou tentativa de estrangulamento dois dias antes do feminicídio, reforçando contexto de violência.
Foi convertida em prisão preventiva a prisão em flagrante de Fabrício Santos da Silva, suspeito de feminicídio contra a ex-companheira, Eliane da Silva Santos. A decisão foi proferida durante audiência de custódia, nesta terça-feira (3), e considerou o histórico de violência doméstica, as ameaças contra a vítima e a existência de medidas protetivas concedidas nove dias antes do crime.
“Diante do exposto, HOMOLOGO O AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO, e, em consonância com o parecer ministerial, CONVERTO A PRISÃO EM FLAGRANTE EM PRISÃO PREVENTIVA de FABRICIO SANTOS DA SILVA, diante do justo receio de que, em liberdade, cause risco à ordem pública, nos termos dos arts. 310, II, 312 e 313, todos do Código de Processo Penal”, destacou a decisão.
O crime ocorreu na manhã da última segunda-feira (2), no Conjunto Edgar Gayoso, na zona Norte de Teresina, quando Eliane foi atingida por um disparo de arma de fogo. Fabrício foi preso horas após o crime, na cidade de José de Freitas.
À Rede Meio Norte, o delegado Francisco Costa, o Barêtta, revelou que Fabrício, ao sair da residência após cometer o crime, disse a uma vizinha que havia acabado com a própria vida e com a vida de Eliane, além de afirmar que a havia matado. Ele também pediu que a mulher chamasse a polícia.
Segundo o delegado, os dois mantiveram um relacionamento por aproximadamente dez anos e tinham uma filha menor de idade. Eliane também tinha uma filha de um relacionamento anterior. De acordo com o depoimento de um familiar, durante o relacionamento, eles enfrentavam conflitos frequentes, marcados por discussões, ofensas e ameaças.
HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA
Conforme a decisão, a vítima já havia registrado boletins de ocorrência e solicitado medidas protetivas contra Fabrício. Um novo pedido de medidas protetivas de urgência foi deferido em 24 de outubro deste ano, e o procedimento ainda estava em tramitação.
O documento também ressaltou que uma testemunha relatou que, dois dias antes do crime, Fabrício teria tentado enforcar a vítima durante uma discussão. A pessoa afirmou ainda ter sido procurada diversas vezes para intervir nos conflitos.
“Esse segundo registro assume especial relevância diante da proximidade temporal entre o deferimento das medidas protetivas e a prática do feminicídio, ocorrido em 02/11/2026, apenas nove dias depois. Tal circunstância, associada aos relatos de ameaças de morte, agressões anteriores e à tentativa de estrangulamento noticiada como ocorrida em 31/10/2026, dois dias antes do crime, revela a persistência e o agravamento do contexto de violência doméstica”, diz a decisão.
O juiz considerou que o histórico de ameaças, a existência de medidas protetivas e a violência contra uma segunda pessoa demonstram a gravidade concreta do caso.
O CRIME
Fabrício também teria efetuado disparos contra o atual companheiro da vítima na manhã do crime, mas não o atingiu. Segundo o delegado Bruno Ursulino, em seguida, foi à residência de Eliane, atirou contra ela e fugiu para José de Freitas, onde deixou a arma na casa da mãe e foi a um bar. Ao ser abordado, indicou aos policiais onde havia escondido o revólver.
“Quando a polícia faz a abordagem a ele, ele não oferece resistência, e ele informa aos policiais onde deixou a arma. Ele vai até a casa residência, aponta onde deixou, e inclusive as pessoas que se encontravam na residência falam que ele pediu para que ninguém tocasse naquela arma, porque a polícia iria logo, logo chegar”, disse.