- Policia Civil conclui inquérito sobre tentativa de sequestro de recém-nascida em Teresina, apontando técnica de enfermagem como autora do crime.
- Auricélia Rocha planejou o crime com antecedência, visitando a maternidade um dia antes e circulando pela enfermaria onde estava a bebê.
- Imagens da maternidade mostram que a suspeita escondeu a criança em uma bolsa e trocou de roupa em um banheiro antes de tentar sair da unidade.
- Investigação descarta hipótese de gravidez psicológica, afirmando que a suspeita simulava gravidez há meses para planejar o sequestro.
- Caso segue para análise do Ministério Público, que decidirá se oferecer denúncia ou solicitar novas diligências.
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a tentativa de sequestro de uma recém-nascida na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, e apontou que a técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha, de 42 anos, planejou o crime com antecedência. Segundo a investigação, ela esteve no quarto onde estava a bebê um dia antes da tentativa, sem qualquer justificativa para a visita.
O caso ocorreu em 6 de julho, quando a suspeita tentou deixar a maternidade com a criança escondida dentro de uma bolsa. O inquérito foi finalizado na última sexta-feira (17).
Planejamento identificado
Segundo o delegado Hugo Alcântara, imagens do circuito interno da maternidade mostram que Auricélia subiu ao oitavo andar durante um plantão realizado no dia anterior ao crime e circulou pela enfermaria onde a recém-nascida estava internada.
"As imagens da maternidade confirmaram que no dia do plantão dela, o dia anterior ao fato, dia 5, sem um motivo técnico justificável, ela subiu ao oitavo andar e já circulou pelos leitos da enfermaria e entrou na própria enfermaria em que estava a vítima com seu bebê", afirmou.
As imagens analisadas pela investigação também mostram o momento em que a técnica recebe a recém-nascida, segue para um ponto sem cobertura das câmeras e retorna apenas com a bolsa. Em seguida, ela entra em um banheiro e troca de roupa antes de tentar deixar a unidade.
Segundo o delegado, a sequência reforça o relato da tia da bebê, que afirmou ter retirado a criança de dentro da bolsa da investigada.
Namorado acreditava na gravidez
Durante a investigação, a Polícia Civil também concluiu que o namorado da suspeita não tinha conhecimento da tentativa de sequestro.
Conforme o delegado, a extração dos dados dos celulares mostrou que, desde o fim do ano passado, Auricélia dizia estar grávida e afirmava que ele seria o pai da criança. As conversas revelam a compra de berço, colchão, outros itens para bebê e o envio de imagens de ultrassonografia, apresentadas por ela como se fossem de uma gestação.
Segundo a polícia, todo esse contexto indica que a investigada criou uma narrativa para convencer familiares e o companheiro de que esperava um filho.
Polícia descarta gravidez psicológica
O delegado Hugo Alcântara afirmou que a investigação não trabalha com a hipótese de gravidez psicológica.
Segundo ele, esse tipo de condição não evolui para uma tentativa de sequestrar uma criança nem para a manutenção de uma falsa gestação por meses.
Além disso, a Polícia Civil informou que não encontrou qualquer documento que comprovasse uma gravidez anterior ou a perda recente de um bebê, hipótese que também chegou a ser levantada durante a apuração.
Com a conclusão do inquérito, o caso segue agora para análise do Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça ou solicita novas diligências.
Entenda o caso
Auricélia de Sousa Rocha permanece presa preventivamente e foi indiciada pelo crime previsto no artigo 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Segundo a investigação, no dia de folga, ela foi até a Maternidade Dona Evangelina Rosa usando o uniforme da unidade. Apresentando-se como funcionária responsável por levar a recém-nascida para exames, conseguiu convencer os familiares a entregar a criança.
A bebê foi escondida dentro de uma bolsa, mas a ação foi interrompida pela tia da recém-nascida, Daniela Beatriz, que desconfiou da movimentação da investigada e encontrou a criança antes que ela deixasse a maternidade.
Na casa de Auricélia, os policiais encontraram um quarto preparado para receber um bebê e diversos objetos infantis. Conforme a Polícia Civil, as evidências reforçam a conclusão de que a suspeita simulava uma gravidez havia meses e que a tentativa de sequestro foi planejada previamente.