- Avião da Voepass emitiu cinco alertas antes da queda em Vinhedo (SP) em agosto de 2024, segundo relatório do Cenipa.
- Alertas indicavam gelo, perda de desempenho, velocidade baixa e risco de estol, mas não foram tratados adequadamente pela tripulação.
- Relatório aponta falhas na comunicação dos pilotos e ausência de ação no sistema de degelo durante o voo.
- Voepass era acusada de ter cultura que normalizava desvios, contribuindo para subestimação dos alertas.
- Alertas incluíram aviso de gelo, velocidade baixa, degradação de desempenho e estol, com resposta inadequada da tripulação.
O avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, emitiu ao menos cinco tipos de alertas antes do acidente, segundo o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado nesta quinta-feira (23).
De acordo com a investigação, os avisos indicavam formação de gelo, perda de desempenho, baixa velocidade e risco de estol, mas não receberam o tratamento adequado por parte da tripulação.
O Cenipa também apresentou uma simulação que reconstitui os momentos finais do voo 2283, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). O acidente ocorreu em agosto de 2024 e matou as 62 pessoas a bordo. Trata-se do acidente mais grave da aviação brasileira desde a queda do voo da TAM, em 2007.
Investigação aponta falhas da tripulação
Segundo o relatório, além dos alertas emitidos pelos sistemas da aeronave, os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais durante momentos considerados críticos do voo. A investigação também concluiu que a tripulação não acionou o sistema de degelo, apesar das condições favoráveis à formação de gelo durante o trajeto.
O relatório aponta ainda que a Voepass mantinha uma "cultura de normalização de desvios" em seus procedimentos operacionais. Segundo o Cenipa, esse cenário contribuiu para que alertas recorrentes fossem tratados com menor atenção, fator que integra as conclusões da investigação sobre o acidente.
Quais alertas o avião emitiu?
De acordo com o relatório, a aeronave registrou uma sequência de avisos antes da perda de controle:
- Detector eletrônico de gelo: o sistema indicou diversas vezes condições favoráveis ao acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave. O aviso deveria levar ao acionamento imediato do sistema de degelo e à alteração da velocidade de voo.
- Alerta de velocidade baixa (Cruise Speed Low): o computador informou que o avião voava abaixo da velocidade recomendada e com aumento de arrasto, condição compatível com o acúmulo de gelo e perda de desempenho.
- Avisos do monitoramento de performance (APM): o sistema passou a indicar degradação do desempenho da aeronave, mas, segundo o Cenipa, a tripulação teve dificuldade para reconhecer a gravidade da situação.
- Alerta de estol: nos instantes finais, o sistema avisou sobre a perda de sustentação da aeronave. A investigação concluiu que a resposta dos pilotos não seguiu o procedimento previsto para esse tipo de emergência.
- Aviso de nível 2: um dos alertas de velocidade perigosamente baixa era classificado pelo fabricante como de "nível 2", categoria de atenção que, segundo o relatório, pode ter contribuído para que a situação fosse subestimada.