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Casal é filmado ao imitar macacos em roda de samba no RJ; polícia investiga

A Polícia Civil do RJ já sabe que quem aparece nas imagens é um carioca e mais uma argentina, que veio de Buenos Aires para o Rio para participar do Fórum Latino-americano de Educação Musical. O caso repercutiu nas redes sociais.

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Delegacia investiga carioca e argentina por imitarem macacos em roda de samba no Rio. Polícia Civil busca identificar homem e mulher envolvidos e localiza hospedagem da mulher argentina. Fórum de Educação Musical repudia ato racista e solicita investigação. Comissão de Combate ao Racismo acompanha mais de 40 casos semelhantes na capital fluminense.
Polícia investiga casal filmado ao imitar macacos em roda de samba em Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro | FOTO: Reprodução
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A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) registrou um boletim de ocorrência e instaurou inquérito policial para investigar um carioca e uma mulher argentina flagrados imitando macacos em uma roda de samba em Santa Teresa, na região Central do Rio de Janeiro, na noite da última sexta-feira (19). O caso é investigado como racismo.

A Polícia Civil já sabe que a argentina saiu de Buenos Aires com destino ao Rio de Janeiro para participar do Fórum Latino-Americano de Educação Musical, enquanto o homem que estava ao lado dela é um carioca. O caso teve grande repercussão nas redes sociais e os policiais buscam identificá-los. Após a divulgação do vídeo, o homem e a mulher excluíram as redes sociais.

A Decradi vai enviar um ofício para o consulado argentino pedindo informações sobre a mulher. Os investigadores querem saber onde ela está hospedada para intimá-la.

“Vamos identificar o casal e intimá-los. Temos que investigar se de alguma forma os gestos utilizados durante a dança configuraram ato discriminatório de cunho racial”, disse a delegada Rita Salim, titular da Decradi.

JORNALISTA FILMOU CENA

A jornalista Jackeline Oliveira esteve na Decradi na manhã desta segunda-feira (22)  |  Foto: Reprodução/ TV Globo 

A jornalista Jackeline Oliveira, que filmou a cena, prestou depoimento sobre o caso. Em entrevista à TV Globo, ela afirmou que os dois não se sentiram constrangidos ao cometer os atos racistas em nenhum momento. “Muito pelo contrário, eles estavam rindo, brincando. Estavam extremamente à vontade em cometer esse ato racista”, afirmou Jackeline.

"O racismo é uma violência que atravessa as pessoas pretas de diversas formas. Cada pessoa tem uma reação e às vezes não tem reação. Quando eu vi o que estava acontecendo, a minha reação foi filmar e chamar o segurança", comentou a jornalista.

Fórum de Educação repudiou atos racistas

O Fórum Latino-americano de Educação Musical confirmou em uma página em uma rede social que um dos envolvidos participou do evento, mas não é associada ao Fladem Brasil, além de não ter ligação com nenhuma atividade pedagógica, acadêmica ou cultural do evento.

Além de repudiar o ato, informou que solicitou à seção brasileira do Fórum que abra processo para investigar a situação, conforme as leis brasileiras.

"Está sendo veiculado em mídias e redes sociais, vídeos de duas pessoas brancas fazendo movimentos sugestivos de macacos durante realização de uma roda de samba na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, na sexta-feira, dia 19/07/2024. Uma dessas pessoas participou do XXVIII Seminário Latino-americano de Educação Musical, que nesta oportunidade aconteceu na cidade, já que cada ano um país Latino-americano é anfitrião. Salientamos que tais pessoas não são associadas ao Fladem Brasil".

COMISSÃO DE COMBATE AO RACISMO SE MANIFESTOU

Segundo a vereadora Mônica Cunha (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Combate ao Racismo da Câmara dos Vereadores do Rio, mais de 40 casos semelhantes registrados na capital fluminense foram denunciados e estão sendo acompanhados. A comissão foi criada ano passado.

“Tristemente, eu vi a necessidade da criação dessa comissão, lançada no ano passado e que acontece por conta dessa constante situação. Em um samba acontece isso. As pessoas precisam entender que racismo é crime”, finalizou a vereadora.

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