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Caso Gisele: Tenente-coronel não foi ao velório da esposa PM por temer pela própria vida

Amigos e parente próximos relataram que o casamento era marcado por episódios de abuso; caso é investigado como feminicídio

PM é encontrada morta em apartamento com tiro na cabeça | Foto: Reprodução
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Relatórios da Polícia Civil revelaram que o tenente-coronel, Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da soldado Gisele Alves Santana, não compareceu ao velório da esposa. Ele é investigado por feminicídio após a mulher ser encontrada morta no apartamento do casal em fevereiro deste ano.  

Geraldo relatou em depoimento à polícia que desde o dia da morte da oficial não conseguiu ver o corpo da mesma. Ele também afirma que vem sendo ameaçado e por isso não foi visitá-la. "Eu estou desarmado, eu temo pela minha vida", disse.

O tenente-coronel também explicou que evitou encontrar com os pais de Gisele, conforme orientações de psicólogos.

ENTENDA O CASO

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, localizado na região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Em um primeiro momento, o caso foi investigado como suicídio, o que posteriormente evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.

As investigações apontam o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, como principal suspeito. Ele está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi indiciado pela Polícia Civil e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.

O QUE MUDOU NAS INVESTIGAÇÕES?

O caso passou a ser investigado como homicídio após a análise de laudos periciais, depoimentos e evidências extraídas de dispositivos eletrônicos.

A Polícia Civil e a denúncia Ministério Público do Estado de São Paulo apontam para um conjunto consistente de elementos que afastam completamente a hipótese de suicídio. O inquérito identificou contradições em depoimentos do tenente-coronel,  indícios de manipulação da cena do crime e sinais de violência anterior à morte.

O QUE DIZ O INVESTIGADO

O tenente-coronel afirma que a PM teria tirado a própria vida depois que ambos discutiram já que o suspeito teria pedido o divorcio. Após o conflito, ele afirma ter entrado no banheiro para tomar banho e em poucos instantes ouviu os disparos. 

O depoimento não condiz com o exame necroscópico realizado que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com um tiro autoinfligido.

Além disso, peritos encontraram lesões no rosto e no pescoço, incluindo marcas de dedos e arranhões, indicando que Gisele foi imobilizada antes de ser morta. Hematomas na região dos olhos também apontam para agressões anteriores ou simultâneas ao disparo.

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