- Polícia Federal conclui inquérito sobre queda do voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo em agosto de 2024.
- 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass foram indiciados por atentado contra a segurança do transporte aéreo.
- Investigação aponta que acúmulo de gelo e falhas no sistema de degelo causaram perda de controle da aeronave.
- Relatório destaca cultura de omissão de falhas e registros inconsistentes na empresa, comprometendo a segurança operacional.
- Ministério Público Federal analisará relatório e decidirá se apresenta denúncia à Justiça.
A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024. Ao todo, 16 funcionários e ex-funcionários da companhia foram indiciados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. Um dos investigados também responderá por falsidade ideológica. O relatório será analisado agora pelo Ministério Público Federal, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça.
Quem são os indiciados
Segundo a Polícia Federal, foram indiciados:
- José Luiz Felício Filho – proprietário da Voepass;
- Luciano Alves de Macedo – comandante de um dos voos realizados pela aeronave antes do acidente;
- Oderlino de Campos Figueiredo;
- John Major Viana;
- Marcos Hiroyuki Sato;
- Alex de Souza Leandro;
- William Schmidt Agatz;
- Juliano Flores Pacheco;
- Raphael Limongi de Figueiredo;
- Marcel Sarquis Moura;
- Tiago Passucci Morani;
- Carlos Alberto Costa;
- Eric Consoli – diretor de manutenção;
- Rafael Gimenez Rodrigues;
- David da Costa Faria Neto;
- Edson Serra Martins, que também foi indiciado por falsidade ideológica.
O que apontou a investigação
De acordo com a Polícia Federal, a tragédia foi causada por uma sequência de falhas. A perícia concluiu que o avião enfrentou acúmulo severo de gelo, perdeu o controle em voo e entrou em parafuso após operar com falhas no sistema pneumático de degelo. Além disso, os procedimentos de emergência previstos para essa situação não foram executados pela tripulação.
Os investigadores também constataram que o sistema de degelo já apresentava panes em voos anteriores realizados no mesmo dia do acidente. Mesmo com alertas registrados nos computadores de bordo, essas falhas não foram anotadas no livro técnico da aeronave, impedindo que o problema fosse tratado pela manutenção antes da decolagem.
A Polícia Federal afirma ainda que havia uma cultura de omissão de falhas na empresa. Segundo o relatório, panes recorrentes deixavam de ser registradas, comprometendo a segurança operacional e permitindo que a aeronave continuasse voando mesmo com problemas considerados críticos.
Além disso, documentos da Agência Nacional de Aviação Civil analisados durante a investigação apontaram falhas estruturais na gestão da Voepass, incluindo deficiência na manutenção, registros inconsistentes, problemas no gerenciamento de riscos e descumprimento de procedimentos internos.