- Piloto Pablo Portella Ilowski, único sobrevivente, relatou que simulação de emergência não seguiu protocolos previstos.
- Aeronave caiu poucos minutos após decolagem em Marília, matando os pilotos Henrique Guariente e Gabriel Maloni.
- Segundo Pablo, durante simulação houve corte de motor em solo e religamento após decolagem, seguido por nova simulação.
- Investigação do Cenipa e Polícia Civil busca esclarecer causas do acidente e avaliar protocolos seguidos.
- Tragédia reacendeu debate sobre estrutura de resposta a emergências no Aeroporto de Marília.
O piloto Pablo Portella Ilowski, de 28 anos, único sobrevivente da queda do avião bimotor ocorrida em Marília, no interior de São Paulo, afirmou em depoimento à Polícia Civil que a simulação realizada antes do voo não seguiu os protocolos previstos para esse tipo de treinamento. A declaração obtida pelo portal Marília Notícias, passa a integrar as investigações que buscam esclarecer as circunstâncias do acidente, que deixou dois pilotos mortos.
A aeronave caiu poucos minutos após a decolagem, na manhã de 10 de junho, em uma área próxima ao Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkovich. Morreram no acidente os pilotos Henrique Guariente Filho, de 47 anos, e Gabriel Maloni Mendes da Cruz, de 24. Pablo foi retirado com vida dos destroços por pessoas que estavam nas proximidades e recebeu alta hospitalar no dia seguinte.
Em seu depoimento, prestado após receber alta médica, Pablo relatou que a aeronave passava por um voo de teste e que, antes da decolagem, foi realizada uma simulação de emergência. Segundo ele, o procedimento não ocorreu conforme determinam os protocolos operacionais.
De acordo com o sobrevivente, durante a simulação houve o corte de um dos motores ainda em solo. Após a aeronave decolar, o motor teria sido religado. Em seguida, quando o avião já estava no ar, foi iniciado um novo exercício, desta vez com o desligamento do outro motor.
Pablo afirmou aos investigadores que, nesse momento, a aeronave perdeu velocidade e sustentação. Ele disse que alertou os colegas sobre a situação ao perceber que o avião não conseguiria manter o voo. Pouco depois, ocorreu o impacto.
O piloto também declarou que o segundo procedimento simulado não deveria ter sido realizado daquela maneira, pois, segundo sua avaliação, não seguiu o protocolo recomendado para treinamentos desse tipo. As informações prestadas por ele serão confrontadas com os demais elementos da investigação, incluindo análises técnicas, perícias e eventuais registros da aeronave.
As declarações do sobrevivente ainda não representam uma conclusão sobre as causas do acidente. A investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) tem caráter técnico e busca identificar todos os fatores que possam ter contribuído para a queda da aeronave. Paralelamente, a Polícia Civil apura as circunstâncias do caso.
O depoimento de Pablo é considerado uma das principais peças da investigação, já que ele era o único ocupante capaz de relatar o que ocorreu dentro da cabine nos instantes que antecederam o acidente.
Debate sobre segurança no aeroporto
A tragédia também reacendeu discussões sobre a estrutura de resposta a emergências no Aeroporto de Marília. Especialistas da área da aviação questionam a ausência de uma equipe permanente de combate a incêndios aeronáuticos, afirmando que a redução da estrutura operacional pode ter comprometido a rapidez do atendimento.
Segundo profissionais do setor, embora o aeroporto possua caminhão especializado e equipamentos para combate a incêndios em aeronaves, atualmente não existe uma equipe completa de prontidão para atuar em ocorrências desse porte. Eles defendem que uma resposta especializada nos primeiros minutos após o acidente poderia aumentar as chances de resgate em situações semelhantes, embora ressaltem que somente as investigações poderão determinar se isso teria influência no desfecho da tragédia.