A Coluna do Padula teve acesso às imagens de câmeras de segurança que mostram um homem realizando a mistura de substâncias químicas dentro do próprio ambiente da piscina, enquanto alunos ainda permaneciam na água. Uma jovem morreu e outras três pessoas foram internadas. A principal suspeita é de que a vítima tenha sido intoxicada por gases liberados após a manipulação inadequada de produtos químicos utilizados no tratamento da piscina.
No vídeo, o homem realiza a mistura de substâncias químicas nos fundos da área da piscina, na sequência ele deixa o balde próximo aos alunos que ainda permaneciam na água. Em outro registro, é possível ver o momento anterior à aula em que ocorreu a intoxicação. Em uma das gravações, o suspeito aparece com o rosto coberto por um pano escuro, aparentemente para evitar a inalação dos gases após perceber uma reação química.
De acordo com a investigação, a professora Juliana Faustino Bessetto, de 27 anos, participava de uma aula de natação acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, quando ambos perceberam que a água apresentava odor e gosto fora do normal. Durante a atividade, os alunos relataram ardência nos olhos, nariz e vias respiratórias, além de náuseas e episódios de vômito. Após o término da aula, o casal passou mal e comunicou o professor responsável, antes de procurar atendimento médico.
A vítima foi levada a um hospital em Santo André, onde seu estado de saúde se agravou rapidamente, evoluindo para uma parada cardíaca. Ela não resistiu. O velório e o sepultamento ocorreram nesta segunda-feira (9), no Cemitério da Quarta Parada, na capital paulista. VEJA AS IMAGENS:
O QUE DIZ A POLÍCIA?
Segundo o delegado responsável pelo caso, Alexandre Bento, a principal linha de apuração indica que a mistura dos produtos foi preparada em um balde de aproximadamente 20 litros e deixada ao lado da piscina enquanto a aula ainda estava em andamento. Como o espaço é fechado e possui pouca circulação de ar, os gases teriam se concentrado no ambiente, causando a intoxicação dos frequentadores.
No momento da ocorrência, havia nove alunos na piscina. Ao todo, cinco pessoas foram consideradas vítimas. Um adolescente de 14 anos permanece internado em estado grave, com comprometimento pulmonar e auxílio de aparelhos respiratórios. O marido da professora também segue internado na UTI. Outras duas pessoas já receberam alta após atendimento médico.
A polícia informou que o homem responsável pela manipulação dos produtos ainda não foi localizado. Ele é investigado por possível responsabilidade no episódio. A substância utilizada continha cloro misturado a outro produto químico ainda não identificado, segundo autoridades.
Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil destacou que o local não possuía condições adequadas de segurança. A academia funciona há vários anos no bairro, mas a atual administração está à frente do espaço há cerca de dois anos. Conforme apurado, o estabelecimento não possuía Auto de Licença de Funcionamento, apresentava instalações elétricas precárias e falhas estruturais.
A Subprefeitura de Vila Prudente informou que a academia foi interditada preventivamente por irregularidades documentais e condições inadequadas de segurança. Para a realização da perícia técnica, equipes precisaram arrombar o imóvel e coletar amostras da água da piscina.
Em nota, a direção da academia lamentou o ocorrido, afirmou que prestou atendimento imediato aos envolvidos e declarou que está colaborando com as investigações. O caso segue sob apuração para esclarecer responsabilidades criminais e administrativas.